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18 February 2021
“2020 foi um péssimo ano. Mas 2021 não será melhor”: o alerta da Associação da Hotelaria de Portugal, que pede apoios urgentes ao Governo
Em reação aos resultados divulgados pelo INE relativamente à atividade turística nacional, os hoteleiros pedem apoios urgentes ao Governo e avisam que sem estas empresas “não haverá retoma do Turismo” “2020 foi um péssimo ano, recuámos a valores de dormidas de não residentes de 1984! Mas 2021 não será melhor. A situação da hotelaria é muito grave e os apoios insuficientes, é importante que se perceba isso.” O desabafo é de Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) que pede ajuda urgente ao Governo: “Se não existirem apoios urgentes, não será ‘apenas’ o setor hoteleiro, empresas, trabalhadores e famílias que sofrerão, mas toda a economia.” Em comunicado, a associação avalia os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre atividade turística nacional para concluir que a “hotelaria vive crise sem precedentes”. Neste contexto, a AHP explica ter já solicitado ao Governo a criação de uma linha específica de apoio para a hotelaria e medidas financeiras e fiscais exclusivamente dirigidas às empresas hoteleiras e a isenção da TSU. Os hoteleiros aguardam, também, a prorrogação urgente das moratórias dos reembolsos de capital e juros das linhas de financiamento “COVID-19” e dos demais créditos bancários. “Sem as empresas hoteleiras não haverá retoma do Turismo”, alerta a associação, recordando que este sector pode voltar a ser o motor da retoma da economia portuguesa. Recorde-se que os resultados divulgados ontem pelo INE mostram que a Hotelaria e os Hostels se destacaram dos demais tipos de alojamento pelas ainda mais brutais quebras, com reduções de 64,5%, e 66,4%, respetivamente, muito superiores às registadas pelo alojamento local e pelo turismo no espaço rural e de habitação. Igualmente grave, refere a associação de hoteleiros, é o impacto que ocorre nos diversos destinos, com as maiores quebras a registarem-se nos destinos urbanos, a par do especial impacto registado no principal destino religioso: Fátima. Mais uma vez os números do INE revelam que Lisboa teve uma quebra de 76%; o Porto de 72% e Fátima ainda sofreu uma maior hecatombe, com uma redução de 78% nas dormidas, que se deveu principalmente ao colapso das dormidas de não residentes: menos 88%. “As empresas hoteleiras estão há um ano com quebras enormes, e neste momento não conseguem honrar os seus compromissos com os ordenados, os fornecedores e os impostos. Não nos podemos esquecer que as empresas hoteleiras empregam cerca de 90 mil profissionais, o que corresponde a 30% de todos os profissionais do setor do alojamento e restauração. É uma grande fatia que não pode ser descurada”, conclui Raul Martins. in Boa Cama Boa Mesa
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17 February 2021
Wanderlust: o desejo incontrolável de viajar*
* Quem retomará as viagens primeiro, os que vão viajar em negócios ou os que vão viajar em lazer? Não se pense que a questão é simples. Tanto o turismo de negócios como o turismo de lazer abrigam vários segmentos e motivações, tipos de viajantes tão distintos quanto os destinos do mundo. Mas todos quantos trabalham na indústria do turismo e a estudam são unânimes: o turismo de negócios vai demorar bastante mais tempo a recuperar, alguns segmentos (das grandes feiras e congressos gigantescos) mais do que outros, e esta indústria sofrerá mudanças definitivas. Basta pensar em como nos tivemos de habituar a trabalhar a partir de casa, a um mundo de distanciamento social onde as tecnologias substituíram o escritório, para nos apercebermos de que as necessidades do encontro presencial, mais ainda se tal exige uma viagem, se tornaram bem menos evidentes. Recordemos que a plataforma Zoom, provavelmente o software de reuniões online mais usado, só nos primeiros três meses da pandemia registou um acréscimo de dez milhões para 200 milhões de utilizadores. Quer isto dizer que o turismo de negócios desapareceu? Não, mas vai levar uma grande volta. Para os tempos mais próximos, portanto, contemos com quem vai viajar por lazer. Por prazer, movido pelo desejo incontrolável de se ligar ao mundo, sair do confinamento, estar vivo e em relação com os outros. A plataforma Airbnb divulgou recentemente as conclusões de um interessante inquérito que, apesar de feito ao público americano (a Airbnb tem a sua sede na Califórnia), servem para ilustrar o sentir de grande parte da humanidade que anseia por viajar. Do mesmo modo, a European Travel Commission também revelou o que irá mover, quem, como e para onde irão os viajantes logo que possam. A primeira motivação é muito humana e íntima: o desejo de estar com a família e os amigos, recuperar a segurança e o prazer de nos religarmos. Daqui decorrem algumas consequências: as férias em família e em casal ganham claramente a primazia sobre as viagens com amigos ou sozinhos. Viajar para perto (a grande maioria dos americanos prefere destinos locais ou regionais, e um em cada cinco querem ficar à distância automóvel de casa; na Europa, a tendência é idêntica: viagens na região ou no país). Outras tendências comuns: exige-se grande flexibilidade nas reservas (possibilidade de cancelamento e remarcação), mas também se manifesta maior flexibilidade na marcação das férias; a segurança e a saúde estão obviamente no topo das preocupações, mas o preço acessível é também um fator de escolha. Há algo também que revela uma alteração interessante para os tempos que aí vêm: apesar do peso das plataformas online nas marcações das férias (na Europa, a Booking é a maior), os websites dos alojamentos estão em crescente procura e as agências de viagens estão a ser reconsideradas como um meio seguro nas circunstâncias atuais, por várias e compreensíveis razões. Enfim, as viagens de negócios podem esperar. A tecnologia que nos permite ter reuniões virtuais ainda não nos permite ter férias virtuais. Felizmente! * Do alemão wandern (caminhar, vagar) + lust (desejo) in Diário de Notícias
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11 February 2021
Diagnóstico de Crise com Raul Martins
Entrevista a Raul Martins Associação da Hotelaria de Portugal Correio da Manhã - Os hotéis estão em condições de começar a pagar os empréstimos em março? - Não há hotel nenhum que tenha condições para pagar. Em dezembro, tínhamos reservas para fevereiro e março, para o Carnaval, para a Páscoa, mas agora se tivermos clientes em junho já é bom. Estamos com quebras superiores a 75% e continuamos a ter de pagar o IRS dos trabalhadores e a TSU. - O que propõe a associação para aliviar essa pressão? - É urgente uma prorrogação dos prazos. O pagamento dos empréstimos deveria passar para 2022 e os de longa duração deveriam também passar para 2023. As moratórias foram feitas na primeira vaga da pandemia, pensávamos que seriam três meses e depois passava. Achámos que viriam dias melhores e afinal vieram os piores... - Mas não estão a beneficiar de apoios do Estado? - A verba da Linha de Apoio às Empresas Exportadoras da Indústria e do Turismo esgotou-se antes de chegar ao turismo e à hotelaria. O turismo foi abandonado pelo Governo. - É necessário então reforçar essa linha? - A hotelaria precisa de uma linha específica. Sem isso as empresas hoteleiras de média dimensão não vão sobreviver a este longo inverno do turismo e na reabertura não vão estar cá para puxar pela economia.
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10 February 2021
Hotelaria quer "prorrogação urgente" de moratórias e reembolsos das linhas de apoio
Para AHP impõe-se uma “solução urgente para a situação dos reembolsos de capital e juros das linhas de financiamento e das demais moratórias bancárias, sob pena de descalabro do setor e, por arrasto, de grave impacto financeiro”. A hotelaria defendeu hoje a “urgente prorrogação” das moratórias bancárias e dos reembolsos das linhas de financiamento ‘covid-19’, “sob pena do descalabro do setor”, e reivindicou uma linha exclusiva de apoio que chegue efetivamente à atividade. “Dada a situação pandémica atual, é fundamental que sejam prorrogados os prazos de carência e de maturidade dos apoios concedidos pelas linhas de apoio à economia covid-19 e a extensão das moratórias bancárias”, sustenta a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) em comunicado. Segundo a AHP, estas linhas de apoio “previam que no último trimestre de 2020 a atividade já estivesse normalizada, o que obviamente não só não se verificou, [como] nem se perspetiva que tal aconteça para as empresas hoteleiras durante o primeiro semestre de 2021”. Assim, impõe-se uma “solução urgente para a situação dos reembolsos de capital e juros das linhas de financiamento e das demais moratórias bancárias, sob pena de descalabro do setor e, por arrasto, de grave impacto financeiro”. PUBLICIDADE No comunicado, a associação alerta ainda para o “esgotamento do alargamento da nova linha de apoio de 1.050 milhões de euros às empresas exportadoras” – “que, afinal, não chegou às empresas hoteleiras”, diz – e reivindica uma linha específica para o setor. Citada no comunicado, o presidente da AHP afirma que os financiamentos efetuados ao abrigo das linhas de apoio covid-19 “foram concedidos com objetivo de começarem a ser amortizados quando a atividade estivesse normalizada”. “Ora, a atividade está muito longe de estar normalizada e as empresas estão numa situação cada vez mais frágil. Temos grande parte da hotelaria fechada, assistimos ao agravamento da pandemia e a um novo confinamento, pelo que os prazos têm de ser prorrogados com a máxima urgência e comunicada essa decisão aos bancos para que os benefícios previstos sejam mantidos”, refere Raul Martins. Recordando que “o ministro da Economia já anunciou que a prorrogação dos prazos iria existir, mantendo-se as garantias do Estado”, o dirigente associativo diz que a AHP já sinalizou a sua “máxima preocupação junto do Banco Português de Fomento”. “Mas a verdade é que temos associados que têm empréstimos concedidos cuja prestação se vence agora em março de 2021 e cujos bancos não têm ainda resposta para lhes dar”, diz. O presidente da AHP lamenta ainda que não estejam criadas linhas específicas para a hotelaria, “criticando severamente as condições, critérios e acesso” à recém-alargada Linha de Apoio à Economia Covid-19 - Empresas Exportadoras da Indústria e do Turismo. “Esta linha foi reforçada e foi expressamente referido que as ‘small mid cap’ e as ‘mid cap’ do turismo teriam acesso como empresas exportadoras fortemente impactadas pela pandemia. E a verdade é que foi aberta em 18 de janeiro e, logo nas primeiras 24 horas após o seu lançamento, os principais bancos do sistema já tinham esgotado a sua quota e as empresas hoteleiras já não conseguiram financiamento. Tudo se esgotou no setor industrial!", lamenta. Considerando ”inexplicável e muito grave que o principal setor exportador do país e aquele onde o impacto das restrições internacionais mais se faz sentir seja precisamente aquele onde estes empréstimos não chegam”, Raul Martins alerta que “é imprescindível que seja criada para as empresas hoteleiras uma linha específica e exclusiva, com períodos de carência e maturidade muito alargados, parte substancial a fundo perdido e condições de acesso que atendam às características do setor hoteleiro”. “Sem isso as empresas hoteleiras de média dimensão não vão sobreviver a este longo inverno do turismo e na reabertura não vão estar cá para puxar pela economia do país”, garante. in SOL Online