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Diagnóstico de Crise com Raul Martins

Entrevista a Raul Martins 
Associação da Hotelaria de Portugal 
 
Correio da Manhã - Os hotéis estão em condições de começar a pagar os empréstimos em março? 
 
- Não há hotel nenhum que tenha condições para pagar. Em dezembro, tínhamos reservas para fevereiro e março, para o Carnaval, para a Páscoa, mas agora se tivermos clientes em junho já é bom. Estamos com quebras superiores a 75% e continuamos a ter de pagar o IRS dos trabalhadores e a TSU. 
 
- O que propõe a associação para aliviar essa pressão? 
 
- É urgente uma prorrogação dos prazos. O pagamento dos empréstimos deveria passar para 2022 e os de longa duração deveriam também passar para 2023. 
 
As moratórias foram feitas na primeira vaga da pandemia, pensávamos que seriam três meses e depois passava. Achámos que viriam dias melhores e afinal vieram os piores... 
 
- Mas não estão a beneficiar de apoios do Estado? 
 
- A verba da Linha de Apoio às Empresas Exportadoras da Indústria e do Turismo esgotou-se antes de chegar ao turismo e à hotelaria. O turismo foi abandonado pelo Governo. 
 
- É necessário então reforçar essa linha? 
 
- A hotelaria precisa de uma linha específica. Sem isso as empresas hoteleiras de média dimensão não vão sobreviver a este longo inverno do turismo e na reabertura não vão estar cá para puxar pela economia.

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