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11 March 2026
Conflito no Médio Oriente redireciona turismo para sul da Europa, mas Portugal ainda fica de fora
Apesar de o setor considerar ser "prematuro" falar em desvio de turistas para o país, o Vila Galé confirma que "já têm alguns pedidos para Portugal e Brasil" do Médio Oriente e Sudeste Asiático. A escalada do conflito no Médio Oriente começa a ter impacto nas reservas, com os turistas a procurarem destinos alternativos na Europa. Espanha, Itália e Grécia estão entre os mais procurados, enquanto Portugal ainda não se afirma como destino de substituição. O presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) realça que ainda é prematuro falar numa mudança estrutural da procura turística. “Será cedo para falarmos num desvio massivo. Estamos perante ajustamentos pontuais, não uma mudança estrutural consolidada”, afirma Pedro Costa Ferreira, em declarações ao ECO. O diretor-geral de vendas da Agência Abreu, Pedro Quintela, corrobora a posição de Pedro Costa Ferreira e afirma que “é prematuro falar de desvio de passageiros dos seus destinos” e que “nada indica” um desvio de procura dos destinos do Médio Oriente para as ilhas espanholas ou Portugal. O perfil de cliente impactado é, tendencialmente, um viajante que procura experiências de longo curso, pelo que as alternativas consideradas são, sobretudo, outros destinos de longo curso, mais alinhados com as expectativas deste tipo de viagem”, remata o diretor-geral de vendas da agência de viagens. Também o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) considera que “nesta fase ainda não sente o desvio de turistas para Portugal”, embora Bernardo Trindade reconheça que, “historicamente, Portugal sempre beneficiou quando surgem tensões ou conflitos em determinadas geografias”. Também o presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV) confirma ao ECO que “Portugal, por enquanto, não se tem afirmado como um grande destino de substituição”, ao contrário de Espanha onde já “há indícios contrários, nomeadamente no que diz respeito às Ilhas e costa Sul”. “As grandes operadoras já admitem que parte da procura está a ser redirecionada para destinos europeus considerados mais seguros, e para além da Espanha, outros mercados como a Grécia e Itália também”, adianta Miguel Quintas, presidente da ANAV. Com 52 hotéis, dos quais 34 em território nacional, o administrador do Grupo Vila Galé confirma que “já têm alguns pedidos para Portugal e Brasil de operações que estavam previstas para o Médio Oriente e Sudeste Asiático“. Acreditamos que, apesar de a razão ser trágica, Portugal e Brasil podem beneficiar efetivamente desta situação”, diz ao ECO Gonçalo Rebelo de Almeida, sublinhado ainda que é “prematuro indicar se o efeito é a médio prazo”, justificando que “vai depender da solução política encontrada para o fim de conflito e a duração do mesmo”. “No entanto, se a situação se vier a resolver no Médio Oriente nas próximas semanas, os fluxos turísticos para a região poderão ser retomados. Se o hub aeroportuário do Dubai ou do Qatar voltar à normalidade, os fluxos podem manter-se”, acrescenta o administrador do grupo que emprega 4.500 pessoas. Com mais de 40 mil voos cancelados de e para o Médio Oriente desde 28 de fevereiro, o presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens confirma que “já existe forte perturbação no mercado, sobretudo nos destinos e ligações mais dependentes dos hubs do Golfo, com destaque para Dubai”. No caso da Turquia, o líder da ANAV recusa falar de uma vaga generalizada de cancelamentos, mas sim de “maior cautela, pedidos de esclarecimento e alguma procrastinação na decisão de compra“. No que respeita às reservas da Tunísia, Miguel Quintas assegura que “prosseguem sem alterações significativas, demonstrando até algum crescimento face ao ano passado”. Por outro lado, o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo adianta que “caso a incerteza se mantenha, alguns destinos percecionados como seguros e com operação aérea estável poderão beneficiar de forma incremental”, apesar de considerar que essa procura tende a ser temporária. “Procura adicional provocada por circunstâncias adversas noutros destinos não é procura normal e tende a sair assim que os constrangimentos forem resolvidos”, sublinha. A viver no Dubai, Maria Inês Amaral, fundadora do Aurora Group e da Associação Portuguesa de Turismo para o Médio Oriente, considera que Portugal tem vindo a ganhar notoriedade como destino seguro, uma característica muito apreciada pelos viajantes provenientes dos Emirados Árabes Unidos. “Portugal, pelos rankings que tem de Empresários gerem crise no Golfo com teletrabalho e cautela segurança a nível mundial, sempre foi e está cada vez mais a ser um destino procurado para férias, em grande parte pela segurança, Ler Mais mas obviamente também pela hospitalidade dos portugueses e pelas paisagens”, diz a empresária, em declarações ao ECO. O líder da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo reforça que “Portugal deve atrair procura de acordo com as suas valências turísticas, e não por externalidades temporárias na concorrência”, enfatizando que “circunstâncias como as que vivemos não beneficiam ninguém”. Conflito no Golfo leva a aumento de reservas de Páscoa em destinos europeus O conflito no Irão está a influenciar as decisões de férias da Páscoa, segundo Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens. O responsável identifica três fatores que moldam a decisão dos consumidores: “perceção de segurança, instabilidade operacional e subida dos custos, em especial no transporte aéreo”. “Para a Páscoa, o impacto é mais imediato, porque estamos a falar de reservas de muito curto prazo e de muitas viagens de famílias, as quais que privilegiam previsibilidade. Para o Verão, ainda é cedo para dizer que haverá uma alteração estrutural do mercado, mas é evidente que o consumidor está mais atento ao risco geopolítico e, consequentemente, mais inclinado a escolher destinos percebidos como estáveis”, explica Miguel Quintas, líder da ANAV. O presidente da ANAV acrescenta que “é razoável afirmar que se está a registar um aumento das reservas de Páscoa para destinos europeus à custa da fuga ao Médio Oriente, embora sem confirmar ainda uma mudança de fundo para maio, junho e julho”. Impactos no espaço aéreo e no turismo religioso O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Bernardo Trindade, admite que o país começa a sentir alguns efeitos do conflito, sobretudo nas ligações aéreas. “Aquilo que resulta de escalas no Dubai está neste momento a ser impactado. Ainda não consigo, nesta fase, estimar o montante”, afirmou. Algumas regiões portuguesas já sentem consequências do encerramento do espaço aéreo nas áreas afetadas. Entre elas está Fátima, que recebe turistas de mercados mais distantes motivados pelo turismo religioso. “Regiões como Fátima têm alguma prevalência destes mercados longínquos que vêm, no fundo, com grande motivação de turismo religioso”, explica Bernardo Trindade. Crise no Golfo encarece passagens e ameaça contas da TAP Ler Mais O ano passado, o Santuário de Fátima recebeu 6,5 milhões de peregrinos, o que representa um aumento de 241.913 fiéis face ao ano anterior, com a instituição a destacar o aumento do número de grupos de fiéis registados, particularmente oriundos da Indonésia, segundo uma nota enviada à agência Lusa. in ECO, por Fátima Castro
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09 March 2026
TNews e Tivoli Hotels & Resorts assinalam Dia Internacional da Mulher com profissionais do setor
O TNews, em parceria com os Tivoli Hotels & Resorts, organizou um encontro especial para assinalar o Dia Internacional da Mulher, reunindo várias profissionais do setor do turismo, hotelaria e formação. O evento decorreu esta segunda-feira, dia 9, no Sky Bar Oriente do Tivoli Oriente, em Lisboa, proporcionando um momento de partilha e networking entre mulheres que se destacam na indústria. À semelhança do que aconteceu nos últimos anos, a iniciativa voltou a juntar representantes de diferentes áreas do setor, num ambiente informal que promoveu a troca de experiências e perspetivas sobre o papel das mulheres na atividade turística. Entre as convidadas estiveram Andrea Granja (Tivoli Hotels & Resorts), Sofia Costa Marques (Tivoli Hotels & Resorts), Sandra Isidro (Tivoli Hotels & Resorts), Adriana Jacinto (Tivoli Hotels & Resorts), Inês Perez (Universidade Nova de Lisboa), Rita Rocha Brito (Mar D’Ar Hotels), Yasmin Bhudarall (Neya Hotels), Helena Soares (SUD), Maria Alves (Turismo de Cascais), Susana Atalaya (Nova SBE Westmont Institute), Isabel Tavares (The Editory Hotels), Sónia Regateiro (Solférias), Cristina Siza Vieira (AHP), Sónia Neto (Grupo Visabeira) e Susana Maia (Newhotel). O encontro destacou o papel crescente das mulheres em posições de liderança e decisão nas áreas do turismo e da hotelaria, bem como a relevância de iniciativas que fomentem o diálogo, a colaboração e a valorização do contributo feminino para o desenvolvimento do setor. De acordo com dados da Organização Mundial do Turismo, as mulheres são um verdadeiro motor da indústria turística. Além de representarem uma parte significativa da força de trabalho no setor, são também um mercado de viajantes em crescimento. Ainda assim, persistem desafios relevantes: em média, as mulheres continuam a ganhar cerca de 15% menos do que os homens e permanecem sub-representadas em conselhos de administração e em cargos governamentais ligados ao turismo em todo o mundo. Nesse contexto, o programa Turismo da ONU tem vindo a trabalhar para colocar o empoderamento feminino no centro da agenda global do setor, promovendo a igualdade de género e contribuindo para o Objetivo 5 da estratégia de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, dedicado à igualdade de género. in TNews
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06 March 2026
Casual Friday | O Turismo num mundo imperfeito
“O Turismo num mundo imperfeito”. A minha tese de base é simples e pragmática: o mundo é imperfeito, sempre foi. A hospitalidade permanece essencial. E o Turismo organizado, tal como o conhecemos, é estruturalmente irreversível. Pode mudar de ritmo, de geografia e de formatos, mas não desaparece” Chegados há pouco de mais um (o 35.º) Congresso da AHP- Associação da Hotelaria de Portugal e eis que nos cai em cima mais uma guerra. Sim, mais uma. Parece que para provar o acerto do lema escolhido para o Congresso: Wake Up Call: Despertar para a Mudança. E, particularmente, para o eixo sobre o qual rodou a primeira manhã Wake up & Face Reality, onde a geopolítica foi o centro da conversa. Foi mesmo pontaria. Acerto pelo tom, pelo momento e até pelo gancho de comunicação que permitiu. Nessa manhã, 12 de Fevereiro, retratou-se um sistema internacional mais fragmentado, menos previsível, com um regresso assumido da lógica de poder – e com impactos diretos na economia, no investimento e na confiança. Foi nesse contexto que apresentei a minha intervenção, “O Turismo num mundo imperfeito”. A minha tese de base é simples e pragmática: o mundo é imperfeito, sempre foi. A hospitalidade permanece essencial. E o Turismo organizado, tal como o conhecemos, é estruturalmente irreversível. Pode mudar de ritmo, de geografia e de formatos, mas não desaparece. Segue um resumo e justificação da tese. Muito antes de existir “Turismo”, sempre existiram viagens e deslocações. Deslocações por comércio, fé, sobrevivência, curiosidade, ambição ou fuga. Necessidade, não lazer. E depois, desde o nascimento do Turismo, no sec XIX, que o seu crescimento é imparável. A acompanhar este movimento de democratização do acesso e aprofundamento dos fluxos turísticos, reforça-se a globalização. E a crença de que esta, pela interdependência benigna entre Estados e blocos económicos, traria um mundo mais previsível, mais organizado e cooperativo. E quiçá, melhor1. Esse tempo passou, porque a segunda década do século XXI tratou de nos explicar exactamente o contrário. Disse na minha intervenção que havíamos acordado da pandemia para a guerra. Da guerra para a inflação. Da inflação para a instabilidade energética. Há 4 anos, a invasão da Ucrânia devolveu a guerra em larga escala à Europa. Seguiu-se o ataque do Hamas e a resposta de Israel, que mergulharam novamente o Médio Oriente numa espiral de violência. A isto junta-se uma guinada repentina na política externa (e interna, mas agora isso não vem ao caso) norte- americana, associada ao regresso de Trump e a uma doutrina estritamente transacional, menos multilateral e centrada exclusivamente no interesse nacional americano, naturalmente coincidente com o de Trump himself. “L’ État c´est moi” à americana. Resultado? Um mundo mais competitivo, duro e imprevisível, nervoso e perigoso. Muito perigoso. E, no entanto, disse-o então, as pessoas continuam e continuarão a viajar. Como o fizeram desde sempre e ao longo do século XX e início do século XXI, apesar das, ou sempre em convivência com, crises. Guerras mundiais suspenderam fluxos turísticos. Choques petrolíferos alteraram custos e comportamentos. O terrorismo internacional; o 11 de setembro; a crise financeira global de 2008; a invasão do Iraque; a guerra na ex-Jugoslávia; as epidemias e a pandemia de COVID-19 provocaram quebras abruptas (e recuperações vigorosas). Viajamos não porque ignoremos o que se passa, mas porque viajar faz parte da nossa condição humana. A história da humanidade é, em grande medida, a história de pessoas em movimento. A hospitalidade nasce aí. Não como luxo nem como experiência. Mas como necessidade básica de um tecto, de uma refeição, de um lugar onde repousar e ganhar forças para continuar. E muito mais tarde, quando esse impulso ancestral se transforma numa actividade organizada, a que chamámos Turismo, convém lembrar que ela não nasce da estabilidade. Nasce da transformação. Da necessidade de criar ordem num mundo que muda. É aqui que a hospitalidade que a hotelaria presta assume um papel fundamental. Porque a hotelaria é a infraestrutura sem a qual não há Turismo. Um hotel cria continuidade num mundo descontínuo. Garante rotina, serviço, acolhimento, previsibilidade. Um hotel é, na sua essência, um pequeno mundo funcional. Há luz quando lá fora falta. Há água quente. Há alguém que recebe. Há rotinas. Há serviço. Há normalidade quando o exterior é volátil. E a normalidade em tempos de instabilidade e crise transforma-se num bem raro, que, como os bens raros, ganha valor. Pensem por vocês. Depois das crises, viajar deixa de ser apenas lazer e passa a ser terapêutico. Viaja-se para recuperar, física e espiritualmente, para respirar, para nos religarmos ao Mundo e a nós, as nossas pausas têm um significado. “Preciso mesmo de me mimar”, dizemos. Ora, num mundo imperfeito, esta necessidade de viajar não é romantismo (embora também o seja um bocadinho, certo?). Para os operadores turísticos e para os países, esta pulsão é estratégica, é negócio. Por isso, quando hoje se fala do impacto das crises no Turismo, convém ter calma e memória. Porque o Turismo tal como o conhecemos não vai desaparecer. Vai mudar. Está a mudar. De forma desigual, imperfeita, por vezes caótica. Como o mundo. A questão não é se haverá incerteza. Haverá sempre. A questão é quem sabe funcionar bem dentro dela. Mais uma vez, na história e na natureza, sobrevive (e prospera) quem melhor se adapta. É quando tudo parece instável que procuramos a mesma coisa. Um lugar onde possamos chegar e sentir, quando não podemos estar em casa: “Chegaste. Estás seguro. Amanhã decides o próximo passo.” PS: Entretanto, e apesar do tom positivo desta minha intervenção de 12 de fevereiro, que mantenho, hoje não podemos deixar de temer os efeitos do que se está a passar no braseiro que está a consumir o Médio Oriente, depois do ataque dos EUA e Israel ao Irão e das tomadas de posição dos estados europeus. Infelizmente, e mais do que outras crises que vieram a acontecer desde a COVID, creio que esta vai ter impactos directos e indirectos, imediatos e mais prolongados, no Turismo mundial e também em Portugal. Apesar de sermos um oásis de paz. E não deixa de ser profundamente assustadora a deriva pro-bélica que estamos a ver em directo. Independentemente da capacidade que o Turismo tem de sobreviver a perigos e perturbações, quem o pratica são as pessoas. Claro que muito vai depender do tempo que esta crise demorará a resolver-se (ou talvez seja melhor dizer, a normalizar-se). Ou então sou que hoje estou mais pessimista… Por Cristina Siza Vieira É vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal e uma das vozes mais influentes no setor turístico nacional. Na sua coluna mensal Casual Friday, publicada sempre na primeira sexta-feira de cada mês, escreve sobre tudo o que merece reflexão: desde o turismo e a hotelaria até às questões que nos tocam no dia a dia e aos temas que agitam o mundo. 1A tese de “ O Mundo é Plano —Uma História Breve do Século XXI”, lançado em 2005, é um excelente exemplo dessa convicção e optimismo.
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04 March 2026
Empresários dos Açores preocupados com quebra do turismo, pedem “medidas estruturais”
A Câmara do Comércio de Ponta Delgada e as associações da Hotelaria e Alojamento Local expressaram preocupação com a quebra nos indicadores do turismo nos últimos meses e reivindicaram “medidas estruturais” para o setor Autor: Lusa/AO Online Em conferência de imprensa que juntou os presidentes da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) e da Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA) e a representante na região da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), os empresários alertaram para a situação atual do turismo no arquipélago. “As preocupações da CCIPD tornam-se cada vez mais relevantes e importa centrar o debate nas medidas estruturais necessárias ao combate à sazonalidade, que continua a ser o principal desafio estratégico do turismo açoriano”, afirmou o presidente da CCIPD, que representa os empresários de São Miguel e Santa Maria, falando na sede daquela associação empresarial em Ponta Delgada. Os Açores registaram, em janeiro, uma redução de dormidas em alojamentos turísticos de 9,9% face ao período homólogo, sendo o quinto mês consecutivo em queda, segundo dados revelados na sexta-feira pelo Serviço Regional de Estatística (SREA). O presidente da CCIPD alertou que o “inverno turístico não pode ser preparado de forma reativa” e apelou a um “combate eficaz à sazonalidade” através de uma “abordagem baseada em dados e segmentação de mercados” e um “modelo mais orientado para a conversão e vendas efetivas”. O economista rejeitou que a evolução dos indicadores turísticos represente um “planalto”, tal como sugerido pela secretária regional da tutela em 23 de fevereiro, considerando que os Açores “ainda nem chegaram a meio da montanha”. “Não podemos estar à sombra da bananeira à espera de que as coisas caiam nas mãos como aconteceu até aqui com a pompa e circunstância que foi retirada a nível político. Queremos agora ver onde estão os políticos a assumir as responsabilidades e a mostrar uma verdadeira estratégia”, reforçou. Gualter Couto expressou preocupação com o próximo verão, sinalizando que nas ligações internacionais vai existir uma “quebra de lugares disponíveis de 9%” e reiterou que a saída da Ryanair vai provocar impactos significativos. “Se andamos a entrar num mercado e dois ou três anos depois estamos a sair, peço desculpa, mas estamos como baratas tontas neste setor. Isso não é gerir de forma profissional”, acrescentou. Já a representante nos Açores da AHP salientou que a quebra de dormidas “já não é antecipada”, é “sim verificada” face aos dados de janeiro, uma tendência que poderá ter consequências na “economia no seu todo”. “Não podemos ver isso com leveza. Mais do que prever que vai existir uma quebra substancial de receitas de alojamento, o que vai acontecer num cenário desses é uma quebra em toda a cadeia de valor”, declarou. Andreia Pavão defendeu a necessidade de “promover estadas médias mais longas” e alertou que “perder acessibilidades diretas é muito preocupante”. “Fomos desafiados a procurar soluções para além de apenas lamentos, eu diria que numa região arquipelágica como a nossa não se vai a lado nenhum sem acessibilidades”. Por sua vez, o presidente da ALA realçou que os Açores são a “região do país com maior amplitude sazonal, o que cria dificuldades enormes de tesouraria”, e lamentou a falta de “ação concreta” do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM). “70% dos alojamentos locais não tiveram um único hóspede em janeiro. Significa que sete em cada 10 estiveram fechados. Isso é um revés enorme para o turismo. As nossas pequenas e médias empresas são frágeis”, afirmou João Pinheiro, considerando que “não basta pedir” aos empresários para “não serem pessimistas”.