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03 August 2026

A descoberta da "pérola imobiliária" da margem sul e o turismo "de comer em casa". O retrato estatístico da Almada que ficou sem água

Mais espaço para construir e uma relação qualidade-preço mais aceitável que a de Lisboa atraiu milhares para Almada. Cerca de um terço de todo o turismo do concelho acontece em apenas três meses. Quando a água deixou de correr nas torneiras de Almada, foram muitas as tentativas de explicar como se tinha chegado a um cenário de rutura que poucos tinham equacionado até então: o recurso abastecido através do serviço público estava a faltar repetidamente em várias zonas do concelho e a autarquia não conseguia repor os níveis dos reservatórios de água — ao ponto de ter de realizar cortes noturnos programados para repor o armazenamento. No início desta semana foi anunciado que as reservas de água em Almada atingiram 78% da sua capacidade, com o município a aliviar algumas das medidas de restrição do consumo, com um novo furo na Marisol a reforçar a capacidade do sistema público e mais quatro a caminho para antecipar as necessidades futuras. Ainda assim a Câmara Municipal de Almada prorrogou até 31 de agosto a situação de alerta pelas falhas no abastecimento de água. Mas o ponto de rutura a que se chegou não se explica por um só motivo. Os retratos estatísticos da evolução demográfica, do turismo e da habitação em Almada ajudam a montar o puzzle de um município com uma tendência populacional crescente, uma construção acelerada com um foco acentuado numa única união de freguesias e ainda um turismo que, pela área costeira, acaba por concentrar um terço de todos os turistas do ano (portugueses e estrangeiros) em apenas três meses — de julho a setembro. Olhando para os dados da construção nas várias freguesias do concelho, fica claro o boom de construção nas localidades da Sobreda e da Charneca da Caparica, que se juntam numa só união de freguesias com cerca de 29 quilómetros quadrados. Desde o início do ano, de acordo com dados enviados pela Câmara Municipal de Almada ao Observador, foram comunicadas 122 novas construções e pedidas 32 licenças para o mesmo efeito. É um sinal de que mais pessoas querem viver em Almada, e isso vê-se nos dados demográficos. No espaço de cinco anos, a população nos nove concelhos que compõem a Península de Setúbal aumentou em cerca de 106 mil pessoas. Em Almada, concretamente, fixaram-se 19.562 novos residentes entre 2021 e 2025.  Almada já era em 2021, e continua a ser em 2025, o concelho daquela região com mais população, seguido do Seixal, que nos últimos cinco anos teve um crescimento populacional assinalável — de 27.146 pessoas — encurtando a diferença de população entre os concelhos vizinhos. A “pérola” imobiliária descoberta que nunca mais parou de crescer. Garantia Pública e simplex aumentaram procura A história do crescimento da construção e da mediação imobiliária em Almada pode começar a ser contada a partir de 2008 e cruza-se com a do resto do país. “Houve uma crise profunda — a do subprime — e o imobiliário em Portugal atingiu nessa altura valores mínimos, o que o tornou extremamente interessante a quem queria investir no setor”, refere ao Observador Isabel Dias Rodrigues, CEO da Meca Construções, uma empresa de construção e promoção imobiliária que opera na margem sul. Foi nessa altura que se deu o “movimento normal de qualquer mercado”, com investidores franceses, ingleses e neerlandeses (entre muitos outros) a apostar em Lisboa, mas também em Almada e nos concelhos vizinhos para realizar o seu investimento imobiliário. Com o passar dos anos, foi mais uma vez o mercado a determinar o destino da habitação que já tinha sido construída e que estava por construir. “Se aumentam as vendas, não se repõe o stock e diminui a oferta, os preços começam a subir”, refere a diretora-executiva, que assinala um “interesse crescente” pela margem sul já quando esta subida do preço das casas se fazia notar. No espaço de uma década, o número de fogos construídos anualmente nos nove concelhos da Península de Setúbal mais que triplicou, com Almada a seguir a tendência de crescimento, com um pico do número de fogos construídos em 2024 — quando registou a construção de 372 fogos para habitação familiar num só ano. “A margem sul foi sempre uma pérola“, refere. Mas foi sobretudo a saturação do mercado imobiliário em Lisboa que acabou por torná-la uma solução viável para quem trabalha em Lisboa e não quer a agitação da capital para viver, ou não tem poder de compra para adquirir uma casa aos preços aí praticados. Ao interesse dos investidores junta-se o movimento migratório fruto de guerras, crises económicas e que Isabel Dias Rodrigues considera não poder ser excluído desta equação. “Foi preciso alojar todas estas pessoas, o que cria uma enorme pressão no mercado imobiliário”, garante. “Tivemos então a entrada de outros investidores, com menos capacidade económica, mas que compraram apartamentos t2, ou t3 com o intuito de os colocar no mercado de arrendamento”, refere a CEO da Meca Construções — assinalando a preferência financeira de quem compra em arrendar as unidades quarto a quarto. O que é um fogo habitacional? Sofia Martins, diretora da Remax Almada, destaca ao Observador o facto de os preços da habitação “no centro de Lisboa e mesmo nas zonas periféricas de Lisboa norte” terem aumentado, contrastando com a hipótese de, em Almada, “ainda ser possível garantir uma boa relação de qualidade-preço dos imóveis“. “Por outro lado, depois da pandemia [da Covid-19], o que reparámos foi que as pessoas procuravam casas com mais espaço exterior, em zonas que estivessem mais perto da natureza e perto da praia e isso acabou por influenciar a procura no nosso concelho, conseguimos ter mais qualidade de vida, conseguimos ter acesso a casas maiores e a uma zona de moradias bastante grande, com espaço exterior e isso aumentou muito a nossa procura por habitação”, descreve ainda. A mediadora imobiliária destaca as zonas da Charneca de Caparica, da Sobreda e da Costa de Caparica como aquelas em que houve um maior aumento da procura por habitação no concelho de Almada, tendo em conta as vendas da agência imobiliária que lidera — são as mesmas zonas para as quais Inês de Medeiros se virou no pico da crise do abastecimento do concelho, dizendo que era nelas que registavam “maiores consumos” de água e adiantando desde logo que tinha havido “mais construção” muito recentemente. Sofia Martins acredita que, no último ano e meio, “a procura foi muito inflacionada e influenciada pela garantia pública do Estado aos jovens na compra da primeira casa. Essa procura acabou por resultar na compra de casa de muitos jovens no nosso concelho“, refere, traçando um novo perfil de quem procura habitação em Almada. “Também temos muitos estrangeiros e muitas pessoas que estão cá em teletrabalho e que trabalham para fora do país”, acrescenta, referindo-se aos expats que procuram Almada para viver, também pelo acesso às praias e à natureza. "O papel de uma Câmara é de planeadora da cidade. E um planeador da cidade tem de se antecipar aos problemas." Isabel Dias Rodrigues, CEO da Meca Construções “A nível de tipologia, temos uma grande procura por apartamentos t2, t3 e moradias não muito grandes”, indica, acrescentando a mediadora imobiliária que “já não há a mesma procura que existia por moradias muito grandes, sendo que as famílias também são hoje geralmente mais pequenas”. A maioria das casas que transaciona não são novas construções, já que chegam às imobiliárias, sobretudo, casas usadas e/ou renovadas. Já em relação ao investimento preferencial de quem compra casa para arrendar, ele está nos apartamentos junto ao polo universitário da Caparica, diz Sofia Martins. A intenção é o arrendamento quarto a quarto a estudantes, que é, mais uma vez, mais rentável para quem arrenda. É também a mediadora imobiliária a associar o aumento da construção ao simplex urbanístico que entrou em vigor em 2024. “Almada ainda tinha muitos terrenos que estavam disponíveis para a nova construção e obviamente que o simplex veio acelerar e dinamizar o investimento na nova construção, sendo que havia e há procura para isso”, refere. Numa entrevista ao Now, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, disse ser “completamente contra” as alterações trazidas pelo simplex, relacionando o aumento da construção e a utilização deste instrumento de simplificação burocrática com a dificuldade em fiscalizar previamente os projetos urbanísticos, acabando a tentar justificar desta forma parte do desfasamento entre as casas construídas e a capacidade do sistema de abastecimento de água do concelho. Ao longo dos últimos 17 anos, de acordo com dados disponibilizados pelos serviços de Urbanismo da Câmara Municipal de Almada ao Observador, o número de licenças de construção atribuídas pela autarquia de Almada aumentou significativamente. O grande boom deu-se de 2015 para 2016, quando o número de licenças de construção passou de 66 para mais do dobro: 130. Antes do simplex. Desde então a tendência tem sido quase sempre crescente, com exceções identificadas em anos específicos — houve um decréscimo em 2020 dos pedidos de licenciamento para construção, mais uma vez ano do início da pandemia da Covid-19, e depois disso os números mantêm-se na casa da centena há cinco anos. A CEO da Meca Construções recorda situações em que a sua empresa teve de esperar “cinco anos para obter uma licença”. Considerando o simplex uma medida necessária para acelerar o licenciamento das construções em Almada, sugere que a crise hídrica “advém de uma enorme falta de planeamento”, e acrescenta:”Parece-me natural que, se num determinado território, estamos a construir mais é óbvio que se vai consumir mais.” “Se a Câmara emite licenças de construção e utilização e tem consciência que emite (por exemplo 300 licenças por ano) tem que se antecipar aos problemas que podem acontecer por existir maior pressão imobiliária. O papel de uma Câmara é de planeadora da cidade. E um planeador da cidade tem de se antecipar aos problemas“, aponta Isabel Dias Rodrigues. “O que o mercado tem mais para oferecer não surge só da procura. Em construção nós também dependemos do planeamento urbanístico das várias zonas. Na Charneca de Caparica as urbanizações foram desenhadas, maioritariamente, para acolher moradias, por exemplo”, refere ainda a representante da construtora, que nota ser “extremamente difícil alterar alvarás de loteamento”. Para a maioria dos clientes de moradias, existe a expectativa de que tenha piscina. Mas “o construtor e promotor só constrói aquilo que pode construir. As regras dizem-me exatamente o que eu posso construir ali, se posso construir uma moradia com x metros quadrados, com ou sem piscina, com ou sem garagem, qual a sua tipologia”. E volta a assegurar: “Logo o município consegue prever aquilo que vai ser feito no seu território e pode antecipar problemas ao nível das infraestruturas.” A partir de 2026, a Câmara Municipal de Almada alterou a ferramenta de gestão urbanística, e partilhou com o Observador a informação das comunicações de utilização de terrenos para novas construções, legalizações e reabilitações nas várias freguesias do concelho. Mostram um pico de comunicações de construções novas na União de Freguesias da Charneca e da Sobreda que, desde 1 de janeiro de 2026 e até agora, já têm 122 novos registos. Também os dados relativos às licenças de construção e de comunicação de início de trabalhos de construção em Almada mostram que, desde o início deste ano, é mais uma vez na freguesia que junta Sobreda e Charneca onde mais trabalhos de construção foram iniciados (84), com 32 licenças de construção a terem sido aprovadas pela autarquia. Índice A “pérola” imobiliária descoberta que nunca mais parou de crescer. Garantia Pública e simplex aumentaram procura O turismo focado no alojamento local e a restauração substituída pelas “refeições em casa” O turismo focado no alojamento local e a restauração substituída pelas “refeições em casa” Sol, praia e mar. Os turistas que se dirigem a Almada, muitos vindos de Lisboa, procuram sobretudo a costa, mas não é só dela que se faz o turismo almadense nos últimos anos. “Podemos qualificar o concelho para outras atividades turísticas”, nota ao Observador Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, que refere o crescimento da procura do concelho para a prática de “atividades ao ar livre e do turismo religioso”, com o crescimento das visitas ao Cristo Rei. “O crescimento que Almada tem tido é consentâneo com o destino turístico. Tem sido paulatino o crescimento, pelo menos desde 2020. Cresceu muito pouco de 2012 para a frente, mas não é um destino turístico de primeira linha, embora possa complementar com identidade própria o produto turístico de Lisboa (pivot)”, afirma. A representante do setor hoteleiro destaca que “não tem havido, do ponto de vista dos empreendimentos turísticos convencionais, uma grande flutuação na oferta de alojamento”. De acordo com os dados disponibilizados ao Observador pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) o número de unidades hoteleiras no concelho mantém-se estável há três anos: Almada tem sete unidades hoteleiras e muito poucas foram as alterações na última década. “O que nós temos hoje são, sobretudo, muitos registos de Alojamento Local (AL)”, refere Cristina Siza Vieira, e destaca o “stress sobre a habitação” que a utilização dos mesmos para o turismo tem provocado. Foi também quem os explora, no entender da representante do setor hoteleiro, que acabou por sofrer mais com os cancelamentos devido aos períodos de falta de água no concelho de Almada, uma vez que não tinham alternativas de abastecimento — reservas ou tanques — como alguns hotéis de maior dimensão. "Os estrangeiros agora vêm, compram no supermercado, e comem as suas refeições em casa." Maria Helena Anjos, gerente da gelataria Pope na Costa da Caparica “A água é um direito fundamental, e o direito à água e ao saneamento básico são indispensáveis. As pessoas percebem imediatamente se um destino não está preparado para responder a esta procura em períodos de maior afluência”, refere ainda, assinalando o facto de o município, mesmo sem conseguir assegurar o abastecimento de água em permanência, ter mantido durante este período de crise hídrica a Taxa Municipal Turística que tem um valor de dois euros por pessoa/noite em Almada. Questionada pelo Observador, fonte oficial da Câmara Municipal de Almada afirma estar a “ponderar alguns apoios aos agentes económicos mais impactados pela falta de água no concelho, sendo a isenção da taxa turística um dos quais está em análise“. Já sobre o perfil de quem visita Almada, Maria Helena Anjos, gerente desde 2000 da gelataria Pope na Costa da Caparica, fala nas mudanças a que assistiu nos últimos mais de 20 anos, e recorda um turismo mais baseado na estada em hotéis e ida a restaurantes e cafés que transitou para estadas mais focadas nos alojamentos locais, onde as comodidades disponíveis incluem, na maioria dos casos, uma cozinha. “Os estrangeiros agora vêm, compram no supermercado, e comem as suas refeições em casa“, refere Maria Helena Anjos, que critica também a manutenção dos principais pontos da costa de Almada. “Nós somos uma cidade que mais parece uma aldeia remota que é inabitável”, refere, dando conta dos “buracos” na estrada e do lixo que fica por recolher mesmo no centro da Costa de Caparica. Em 2025, os dados mais recentes, 84.496 portugueses pernoitaram em hotéis ou unidades de alojamento local no concelho da margem sul — é um recorde olhando para os dados desde 2018. Em 2019 a tendência do aumento das estadas de portugueses na Costa de Caparica já se fazia sentir, mas acabou a abrandar em 2020 devido à pandemia — embora não tenha decrescido na dimensão das pernoitas de turistas estrangeiros, naturalmente porque as viagens estavam nessa altura muito restringidas. A tendência do pós-pandemia tem sido, no entanto, de retoma das estadas de turistas estrangeiros em alojamento turístico em Almada, com o número de 2025 — 134.624 hóspedes estrangeiros — a aproximar-se muito do pico que tinha sido atingido em 2019 de 147.469 hóspedes. Segundo dados do INE, em 2025, 34,7% das dormidas de turistas no concelho de Almada aconteceram entre julho e setembro. Ou seja, um terço das estadas ficam condensadas no período do verão, aumentando assim a pressão sobre os recursos da região nesta altura. Cristina Siza Vieira faz questão de destacar o próximo grande evento que Almada vai receber, também ele sazonal — o festival Sol da Caparica — que arranca a 13 de agosto e que atrai milhares de visitantes. “Mais uma vez se espera que haja uma gestão deste recurso por forma a não prejudicar este evento que tem um impacto muito direto no alojamento e na restauração”, aponta ainda e lembra que “é importante garantir segurança e serenidade no abastecimento precisamente para garantir o bom funcionamento deste evento”. Para ler na íntegra na área reservada do site do Observador: O retrato estatístico da Almada que ficou sem água

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21 July 2026

Hotelaria mantém otimismo cauteloso, restauração com mais problemas

A restauração revela “sinais de maior fragilidade”. Até maio encerraram 9.279 estabelecimentos. Nos hotéis ainda há a esperança nas reservas tardias, apesar de faltarem apenas duas semanas para o mês mais importante do ano. Nos sites de reservas, há muita oferta, os descontos chegam aos 30%. A duas semanas da entrada em agosto, por definição o mês mais forte do ano, o cenário é ainda de otimismo, embora cauteloso, entre as entidades do turismo e hotelaria nacionais. Quem enfrenta um cenário de maior fragilidade e incerteza é o setor da restauração (ver caixa), que viu encerrar entre janeiro e maio 9.279 estabelecimentos e os piqueniques regressarem aos jardins das cidades. Em relação há hotelaria algumas regiões contam com reservas acima dos 50%. É o caso do Algarve, segundo os dados do inquérito “Balanço Páscoa & Perspetivas Verão 2026”, da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Contudo, uma rápida pesquisa nos sites especializados permite observar que, em hotéis de 4 e 5 estrelas, uma estadia de uma semana para uma família de 4 pessoas, pode custar menos 20% e 30% e em alguns casos o preço sofre mesmo um desconto superior a mil euros. Ao Jornal Económico, Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP, explica que a mudança está no comportamento dos consumidores, que “tomam decisões mais tardias, cautelosas e com um peso crescente das reservas de última hora, reduzindo a visibilidade dos hotéis”. Ainda de acordo com o mesmo inquérito, o elevado grau de incerteza impactou na confiança dos hoteleiros, tendo o indicador que o mede recuado 71%. A instabilidade económica e geopolítica são os principais riscos identificados. “Será um verão positivo, mas mais exigente, dependente da evolução dos mercados emissores, da conectividade aérea, dos custos e da estabilidade das operações aeroportuárias”, diz Cristina Siza Vieira. Na verdade, a região algarvia registou uma desaceleração nas dormidas e receitas em 2025, mas em maio de 2026, os proveitos totais atingiram 179 milhões de euros, mais 10,5% do que no período homólogo. Perante estes dados, André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, encara o segundo semestre com confiança, mas também prudência pelo atual contexto internacional. “Mais do que procurar aumentos de volume a qualquer custo, o nosso objetivo para 2026 é consolidar um crescimento sustentado, gerando mais valor económico, social e territorial”, diz ao JE. Em relação aos turistas internacionais André Gomes reitera que o Reino Unido mantém-se como o principal mercado externo, mas que apesar de continuar a ter um peso muito relevante, a dependência deste turista já não é uma realidade aos dias de hoje. “A base de procura está mais diversificada, com uma evolução positiva de mercados europeus como a Alemanha, a Irlanda, os Países Baixos e a Espanha, e com um potencial crescente em mercados de longo curso, designadamente os Estados Unidos e o Canadá”, explica. O presidente do Turismo do Algarve confirma que a guerra e a instabilidade geopolítica são motivos de preocupação para o turismo. Condicionam a confiança, a mobilidade e a capacidade de planeamento das famílias e das empresas, avança o responsável. “Até ao momento, porém, os indicadores disponíveis não evidenciam um impacto significativo nas reservas para o Algarve. O destino continua a ser percecionado como seguro, estável e de confiança.” Cristina Siza Vieira defende que o impacto mais visível não está, para já, na vontade de viajar, que se mantém, mas no comportamento de compra e nos custos. “A instabilidade geopolítica aumenta a incerteza, encurta a antecedência das reservas e pode provocar alterações de rotas e cancelamentos.” Por outro lado, considera que a subida dos combustíveis, incluindo o da aviação, pressiona em alta os preços das viagens aéreas, o que é particularmente relevante na região do Algarve onde a maioria dos turistas estrangeiros chega de avião. “Aumentam também os custos energéticos e operacionais dos hotéis e diminui o rendimento disponível das famílias”, afirma. Quem não tem sentido os efeitos negativos provocados pela guerra é o turismo do Porto e Norte. “Os indicadores que temos indicam que o Porto e Norte é pouco afetado pelas sucessivas crises globais. Temos tido algumas oscilações de alguns mercados, como o israelita, polaco e alemão”, diz Luís Pedro Martins, presidente do Turismo do Porto e Norte. No entanto, sublinha que estas intermitências têm sido compensadas com as subidas dos mercados de longa distância, onde a região quer continuar a crescer, nomeadamente, os Estados Unidos, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, China e Japão. “Temos razões para estar otimistas para o verão e para o resto do ano, com crescimentos nas dormidas dos hospedes nacionais e internacionais”, afirma, assumindo o desejo de ativar novos mercados como o México, Argentina, Austrália ou países nórdicos. Para Luís Pedro Martins esta diversificação do lado da procura é fundamental para a região, na medida em que, entre outros aspetos, “permite combater a sazonalidade e também eventuais retrações de procura causadas por cenários de instabilidade internacional”. Depois de 2025 ter sido o melhor ano de sempre – foi a segunda região do continente que mais cresceu em dormidas (3,8%) –, o Alentejo acredita que não só o verão, mas também o segundo semestre, vão ser muito exigentes. “Mas estou otimista. Teremos um acréscimo de procura, quer do mercado nacional, quer internacional”, diz José Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. Em maio, o número de dormidas no Alentejo subiu 10%, enquanto dormidas de residentes cresceram 12,6%. “O mercado nacional continua a liderar. O espanhol representou, em 2025, 16,7% das dormidas dos não residentes. O Alentejo foi a região do país que mais cresceu em Espanha no último ano”, afirma. Sobre o impacto da guerra, o presidente aponta para uma redução do mercado do Oriente e alguns cancelamentos de turistas norte-mericanos, que “estão a ser compensados noutras geografias”. por Rodolfo Alexandre Reis, in Jornal Económico

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21 July 2026

As reservas continuam a chegar, os hóspedes já estão na propriedade e cada semana traz novos sinais

Julho já chegou e, para a maioria dos hotéis, a época alta deixou de ser algo para planear e passou a ser algo para gerir. As reservas continuam a chegar, os hóspedes já estão na propriedade e cada semana traz novos sinais que vale a pena interpretar corretamente. Aqui fica uma checklist rápida do que merece a sua atenção neste momento. Acompanhar o pickup e a procura de última hora Durante o verão, a procura pode mudar em poucos dias, e não em semanas. Acompanhar de perto o pickup por data e duração da estadia permite rever tarifas e restrições antes que a mudança seja visível nos relatórios de desempenho. É precisamente aqui que um sistema de revenue management como o Blastness RMS faz a diferença, transformando dados dispersos em decisões tarifárias antes que a oportunidade desapareça. Garantir que o motor de reservas converte em dispositivos móveis Nesta altura do ano, a maioria das reservas de última hora é feita através de smartphones. Garantir que o motor de reservas carrega rapidamente e proporciona uma experiência simples em dispositivos móveis evita perder conversões precisamente quando a procura está no seu pico. O Blastness AIBE foi desenvolvido exatamente com este objetivo: oferecer uma experiência de reserva rápida, intuitiva e otimizada para converter em qualquer dispositivo. Transformar pedidos de informação em reservas confirmadas Durante as semanas de maior ocupação, os pedidos de disponibilidade acumulam-se rapidamente e cada hora de atraso aumenta a probabilidade de perder o hóspede para outra unidade. Enviar uma proposta clara e profissional com rapidez e fazer o acompanhamento adequado faz muitas vezes a diferença entre um potencial cliente e uma reserva confirmada. É aqui que um CRM/CRO concebido para hotéis demonstra o seu valor, mantendo todos os pedidos organizados e em progresso de forma automática. Fazer upselling e cross-selling em tempo real Os hóspedes que já se encontram no hotel são, muitas vezes, o público mais fácil de alcançar. Ofertas simples e apresentadas no momento certo — um upgrade de quarto, um tratamento de spa ou um late check-out — podem gerar receita adicional sem qualquer custo de aquisição, desde que sejam propostas na fase adequada da estadia e não deixadas ao acaso. Gerir a reputação em tempo real As avaliações escritas neste verão vão influenciar as reservas durante o resto do ano. Consultar diariamente as novas avaliações e responder rapidamente, sobretudo às críticas, ajuda a minimizar o impacto de uma experiência negativa e demonstra aos futuros hóspedes que o hotel acompanha ativamente a qualidade do serviço. Manter os canais sociais ativos Uma presença ativa durante a época alta — com fotografias reais, momentos autênticos e atualizações frequentes — tende a gerar bons resultados e cria conteúdos valiosos que poderão ser reutilizados após o verão. Quando o tempo escasseia, contar com uma equipa dedicada para monitorizar, interagir e moderar os canais sociais do hotel permite manter uma presença consistente sem aumentar a pressão sobre a operação diária. Se precisar de apoio para manter tudo isto sob controlo durante este verão, a nossa equipa está pronta para ajudar. Entre em contacto!  

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22 June 2026

Turismo enfrenta pressão fiscal, logística e ferroviária

Alberto Ribeiro, CEO da Via Porto, Cristina Siza Vieira, vice presidente executiva da AHP, e Gonçalo Lobo Xavier, diretor geral da APED, discutiram os desafios para a competitividade do turismo. O turismo continua a afirmar-se como um dos principais motores da economia portuguesa, mas a crescente procura traz consigo desafios que se refletem em toda a cadeia de valor. Fiscalidade, abastecimento, mobilidade e planeamento de infraestruturas foram alguns dos temas em debate na mais recente talk da DLA Piper, integrada na 9ª edição da Advocatus Summit, dedicada à pressão que o setor enfrenta. António Moura Portugal, partner da DLA Piper, moderou o debate. Na hotelaria, a discussão centrou-se no papel e na utilização das taxas turísticas. Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal, recordou que este instrumento surgiu associado à promoção turística e à compensação dos impactos da atividade, mas considera que a sua aplicação tem vindo a desvirtuar-se. “Hoje, estes 46 municípios de toda a índole, formato e feitio, já o usam como outro modelo de compensar pela pegada que os turistas deixam”, disse, ao mesmo tempo que defendeu que, em muitos casos, a taxa assume uma natureza mais próxima de um imposto do que de uma verdadeira taxa turística. A vice-presidente alertou ainda para situações que considera difíceis de justificar, nas quais existem municípios com reduzida pressão turística a adotar este mecanismo. Neste ponto, referiu que há “três hotéis” entre os 46 municípios que pagam uma taxa turística e que, além de “serem fortemente marcados pela sazonalidade”, “são hotéis de business”. Além disso, destacou o impacto que estas cobranças podem ter também no turismo interno, sobretudo para famílias residentes em Portugal e que escolhem destinos nacionais para férias. A preocupação com a competitividade foi igualmente partilhada por Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, que sublinhou a importância de uma cadeia de abastecimento eficiente para garantir uma experiência turística de qualidade. “Sem uma cadeia de abastecimento bem organizada, não é possível ter um turismo organizado”, garantiu. Na sua perspetiva, a carga fiscal e os custos associados à energia e aos combustíveis colocam Portugal em desvantagem face a mercados concorrentes, em particular Espanha. Para o responsável da APED, uma das principais soluções passa pela previsibilidade das políticas públicas. “O que nós gostaríamos de ter era previsibilidade e gostaríamos que as políticas públicas fossem estratégicas”, referiu, alegando que empresas e investidores necessitam de estabilidade para planear a médio e longo prazo. Uma necessidade que, na sua opinião, ganha ainda maior relevância num contexto de transformação dos hábitos de consumo e de mudanças demográficas. Já Alberto Castanho Ribeiro, CEO da ViaPorto, trouxe para o debate a questão da mobilidade ferroviária e o seu impacto na descentralização do turismo. Apesar dos esforços de liberalização do setor, considera que persistem obstáculos relacionados com o acesso à infraestrutura, a demora dos processos regulatórios e a falta de incentivos à modernização. “Temos que sair daquela lógica da infraestrutura só para efetivamente tornar o sistema ferroviário num elemento de desenvolvimento económico e até para o turismo”, afirmou. A experiência de mobilidade é hoje, de acordo com o CEO da ViaPorto, parte integrante da experiência turística. A ausência de integração tarifária, as dificuldades de ligação entre operadores e os atrasos em projetos estruturantes limitam a capacidade de distribuir visitantes por diferentes regiões do país. “Tudo isto é um contexto que dificulta muito a mobilidade e que não favorece o turismo regional nem a descentralização do turismo com recurso à ferrovia”, afirmou. Apesar de abordarem as realidades de diferentes setores, os três oradores destacaram uma ideia em comum, que passa pela competitividade do turismo depender cada vez mais de decisões estruturais que ultrapassam o próprio setor. Seja na gestão da fiscalidade, na eficiência das cadeias de abastecimento ou no investimento em mobilidade, a necessidade de regras claras, previsibilidade e visão de longo prazo foram apontadas como condições essenciais para responder às pressões atuais e sustentar o crescimento futuro do turismo em Portugal. in ECO, via Advocatus

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