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07 July 2021
Alemanha levanta restrições a viajantes de Portugal
Viajantes de Portugal deixam de ter de fazer quarentena assim que chegarem à Alemanha desde que estejam totalmente vacinadas ou tenham recuperado de covid-19 A Alemanha vai levantar as restrições a viajantes de Portugal, anunciou esta segunda-feira o Instituto Robert Koch. Além de Portugal, Reino unido, Irlanda do Norte, Rússia, Índia e Nepal serão removidos da lista de variantes do vírus na quarta-feira. Em vez disso, serão classificados como área de alta incidência. Isto significa que a proibição de entrada na Alemanha atualmente em vigor será levantada e que as pessoas provenientes de áreas de alta incidência que estejam totalmente vacinadas ou recuperadas de covid-19 não precisam de fazer quarentena à chegada a solo alemão. Já as pessoas não vacinadas a partir de áreas de alta incidência devem fornecer um teste negativo à covid-19 antes da partida para a Alemanha e fazer quarentena durante dez dias após a chegada ou durante cinco dias caso desde que apresentem novo teste negativo. Na semana passada, a chanceler Angela Merkel adiantou que a Alemanha relaxaria em breve as regras de viagem para pessoas que chegam do Reino Unido, devido ao facto de a variante Delta estar já disseminada e mambos os países. As autoridades sanitárias da Alemanha colocaram Portugal na lista vermelha, uma decisão que vigora desde 27 de junho e que obriga todos os viajantes provenientes do território português a uma quarentena de 14 dias. Na origem estará o aumento da taxa de incidência de Portugal. Entretanto, Bruxelas pressionou Berlim a adotar uma abordagem coordenada com a União Europeia em relação a viagens, propondo que vacinados com pelo menos uma dose e recuperados da covid-19 não sejam submetidos a medidas restritivas como quarentenas ou testes. A 1 de julho, entrou em vigor o certificado digital covid-19, que é gratuito e funciona de forma semelhante a um cartão de embarque para viagens, com um código QR para ser facilmente lido por dispositivos eletrónicos e na língua nacional do cidadão e em inglês. A interdição alemã às viagens de Portugal era a única proibição na União Europeia quando entrou em vigor o certificado digital covid-19. Já na quinta-feira, a Alemanha admitiu um desagravamento da avaliação de Portugal, atualmente na "lista vermelha" de viagens por ser uma "zona de variantes" do SARS-CoV-2, devido à também expectável progressão da variante Delta no território alemão. in Diário de Notícias
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01 July 2021
Hotelaria afirma que "retoma do turismo em Portugal abortou"
As restrições recentes de que Portugal foi alvo vêm contrariar a recuperação que era esperada para o turismo no verão de 2021. O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Raul Martins, afirma que "a retoma do turismo em Portugal abortou", após o anúncio de restrições do lado da Grã-Bretanha e Alemanha. A perspetiva de que a retoma se iria iniciar neste verão não se verificará, afirma o presidente da associação hoteleira, justificando com os recentes constrangimentos no que toca à Grã-Bretanha e à Alemanha. "Este será um ano negativo ou com resultado zero, quando esperávamos que ele fosse já positivo", aponta Raul Martins. Assine já 1€/1 mês 5 ... O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Raul Martins, afirma que "a retoma do turismo em Portugal abortou", após o anúncio de restrições do lado da Grã-Bretanha e Alemanha. A perspetiva de que a retoma se iria iniciar neste verão não se verificará, afirma o presidente da associação hoteleira, justificando com os recentes constrangimentos no que toca à Grã-Bretanha e à Alemanha. "Este será um ano negativo ou com resultado zero, quando esperávamos que ele fosse já positivo", aponta Raul Martins. Estas conclusões são apresentadas no rescaldo da divulgação do inquérito "Perspetivas verão 2021", realizado junto dos associados da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Este inquérito foi feito antes de terem sido anunciadas medidas que prejudicam o turismo português em relação aos mercados inglês e alemão, pelo que o cenário na época alta será mais gravoso, acredita a AHP, do que aquele pintado pelo estudo. As autoridades sanitárias da Alemanha consideraram que Portugal, assim como a Rússia, são zonas de risco devido à existência de variantes do novo coronavírus, pelo que proibiu as viagens para estes dois países esta semana. Paralelamente, o Reino Unido foi incluído na lista de países cujos cidadãos serão sujeitos a quarentena de 14 dias após entrada em Portugal continental, determinou o Governo português, através de um despacho. Neste cenário, o presidente da AHP considera que, mais que criar novas medidas e apoios, é urgente operacionalizar os já existentes, e aumentar as verbas "por forma a corresponder às necessidades do setor". "Os apoios não estão disponíveis. Têm de ser definidos os critérios que vão permitir ao Banco de Fomento apoiar. O que para nós é urgente é que essa definição exista", explica Raul Martins. A expectativa é que seja possível fazer este trabalho até 15 de julho e que seja aplicado desde logo. Reservas já baixas em risco de piorar O inquérito, que fica desatualizado face às novidades quanto ao Reino Unido e Alemanha, já não mostrava o melhor cenário. "Vamos ter um prejuízo gravíssimo nesta época alta, contávamos com o mercado alemão e inglês", alerta Cristina Siza Vieira, vice-presidente executiva da AHP. A média de reservas está nos 45% na época alta. "Pior que isto, nem sei o que poderíamos imaginar. Não sei como vai ser pior". A média de reservas em junho ficou-se pelos 43%, em julho devia situar-se na mesma linha e em agosto em torno dos 46%. A estes dados acresce que mais de metade dos inquiridos dizem que 80 a 100% das respetivas reservas são reembolsáveis. Os principais mercados de turismo são o mercado interno, à cabeça, e Espanha e França a preencherem o "Top 3" do turismo nacional. O Reino Unido já estava fora deste grupo no momento do inquérito, posicionando-se em quarto lugar. A taxa de ocupação média nacional ficou "apenas" nos 48%, apontou Cristina Siza Vieira. O pior registo está em Lisboa, de 32%, e os mais de 60% conquistados pelo Algarve e Alentejo "não são motivo de excitação", tendo em conta que o que está em causa é a época alta, continua a vice-presidente. O inquérito indicava menos unidades hoteleiras encerradas em junho do que no mesmo mês do ano passado, e a tendência era que a percentagem de unidades encerradas fosse cada vez menor até setembro. Em paralelo, notam-se dificuldades na contratação, diz a AHP. 68% dos inquiridos têm a intenção de reforçar as equipas em regime temporário para fazer face aos picos de procura. Mas 64% dizem que estão com muita dificuldade na contratação para este período e, mesmo tendo hóspedes, não estão a conseguir servir nos próprios restaurantes ou fazer serviço de quartos. Isto porque muitos dos funcionários mudaram de cidade ou estão a receber o subsídio de desemprego. As principais ameaças apontadas pelo setor são as restrições em termos de voos e mobilidade (40%), o medo de ser infetado com a doença (26%) e a incerteza e desconhecimento das regras no local de destino (25%). in Jornal de Negócios, por Ana Batalha Oliveira
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21 June 2021
Hoteleiros do Algarve já começaram a receber cancelamentos de turistas portugueses
Os hoteleiros do Algarve já começaram a receber cancelamentos por parte de turistas portugueses que vivem na Área Metropolitana de Lisboa. João Soares, dirigente da Associação Hoteleira de Portugal no Algarve e proprietário de um hotel em Quarteira, fala em mais uma situação penalizadora para o turismo. "Estas notícias são, de facto, muito penalizadoras para o Algarve, de um modo geral. Sabendo que estávamos com estas restrições com o mercado britânico e com outros mercados, acabamos por ser muito penalizados em relação ao mercado nacional. Muito do mercado que visita o Algarve é da parte de Lisboa, da Área Metropolitana, e as pessoas veem-se agora restringidas, ao fim de semana, por não poderem circular a partir da tarde de sexta-feira", explicou à TSF João Soares. O hoteleiro critica também o facto de haver concelhos como Loulé e Albufeira, iminentemente turísticos, que vão voltar atrás no desconfinamento por estarem a ser contabilizados os números dos não residentes. "Não é por deixar de fechar os restaurantes à 1h ou às 00h e passar a fechar às 22h30 que vai haver um impacto na redução do número de casos, mas também porque não deverão ser considerados, conforme disse o primeiro-ministro, os casos de turistas. Os turistas vêm e vão e os residentes são quem cá está e quem deve contar, efetivamente, para os números. Não compreendemos, de todo, esta decisão que acaba por ser muito penalizadora para o Algarve", acrescentou o dirigente da Associação Hoteleira de Portugal no Algarve. No final da reunião do Conselho de Ministros realizada na quinta-feira, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, afirmou que "as restrições de circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa aplicam-se a partir das 15h00" de sexta-feira e pretendem que "a elevada incidência [de Covid-19] que se faz sentir nesta região não se transporte para fora dela". A ministra destacou que esta é uma medida nova de controlo da pandemia, que "não é fácil nem desejada por ninguém, mas que é necessária" para conter o agravamento da incidência da doença nesta região, sobretudo com a prevalência da variante "delta" do coronavírus. in TSF
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16 June 2021
O IVAucher deve ser usado apenas nos dias úteis e excluir os fins de semana?
Duelo 0 IVAucher é uma medida de apoio à economia criada pelo Governo para apoiar alguns sectores. Mas o tema não é unânime SIM Branca Pereira, Vice-presidente da Pro.Var Decorridos 15 meses de pandemia, estamos perante o pior período económico de que há memória para o sector da restauração. O volume de negócio teve uma quebra, só em 2020, de cerca de €3 mil milhões e perderam-se cerca de 20 mil empregos. Para responder a estas elevadas perdas de faturação e dívidas acumuladas serão necessárias medidas adequadas, que possam alavancar de forma imediata e contundente todo um sector. A descida do IVA, nomeadamente a descida da taxa das comidas de 13% para 6%, se implementada, terá um efeito imediato, com repercussões para os próximos anos, será o melhor apoio e poderá garantir a retoma do sector sem discriminar nenhuma empresa, mantendo as regras de sã concorrência e uma política fiscal justa e não discriminatória. 0 Governo optou por outra solução, o IVAucher, uma medida para estimular a economia nos sectores mais afetados. A escolha serve o alojamento e a cultura, mas fica pelo “quase” na restauração, pois, acima de tudo, serve os consumidores. Em nada se compara com o sucesso do plano de apoio à restauração que foi implementado no Reino Unido, esse, sim, com forte impacto no sector: os britânicos podiam enviar metade da conta, até 10 libras por refeição, para o Ministério das Finanças pagar, mas os portugueses terão que confiar nas finanças, numa entrega postecipada de um valor em formato de voucher do crédito do IVA acumulado, para ser usado apenas no último trimestre deste ano. Os empresários da restauração preferiam que o seu uso fosse limitado de segunda a quinta-feira. Então e que diferença faz usar o voucher à semana, ao fim de semana ou todos os dias? Nenhuma para o consumidor, que assim poderá usá-lo em qualquer dia sem alterar os hábitos de consumo, talvez, quiçá, sem gastar mais qualquer euro. Seria bem diferente se fosse induzido a fazê-lo à semana, de segunda a quinta, talvez para visitar aquele restaurante e desfrutar daquela refeição que nunca aproveitou, talvez para voltar mais vezes à semana, ajudando o tal restaurante ou procurando novos e belos restaurantes. Sim, ser amigo dos restaurantes é, afinal, escolher aquele dia mais calmo e com menos clientes, poder encontrar bons motivos de cultura e boas experiências em hotéis. Neste momento tão complicado, direi mesmo dramático para a restauração, temos que reconhecer e proteger a importância da gastronomia tradicional portuguesa enquanto elemento económico, social e cultural, unir de forma harmoniosa os diferentes saberes, sabores e odores que a caracterizam e representam, um todo de um conjunto de memórias de uma comunidade. Neste período pós-confinamento, os clientes adquiriram novos hábitos sem dar conta. A refeição é feita agora em casa ou na empresa, uma nova realidade, que retira de forma muito significativa os clientes das salas dos restaurantes. Medidas de estímulo ao consumo, como o uso dos vouchers à semana, precisam-se!... E se estas não vierem da tutela, que sejam os portugueses a seguir esta opção. Estarão certamente a contribuir para o garante da nossa gastronomia e dos postos de trabalho. O seu restaurante do costume agradece. NÃO Raul Martins, Presidente da AHP Na perspetiva da hotelaria, devemos analisar este incentivo ao consumo turístico com entusiasmo muito moderado. Por um lado, porque esta medida visa apenas o consumo interno, e a hotelaria não vive sem o turismo internacional, que tem crescido não apenas em volume de hóspedes mas, mais importante, em valor. Em 2019, os 49 milhões de hóspedes internacionais que estiveram em Portugal representaram €19 mil milhões de receita, num crescimento homólogo de 8%. Para a AHP — Associação da Hotelaria de Portugal, é, por isso, fundamental que existissem medidas de apoio e estímulo à economia turística, que seriam mais simples e dirigidas à captação e retenção do turismo internacional, designadamente a comparticipação direta ao cliente de parte das passagens aéreas para estadas superiores a sete dias, campanhas em unidades de alojamento com oferta de uma noite para estadas iguais ou superiores a três dias e entradas gratuitas em museus e outras atrações durante dois anos. Estas medidas foram por nós propostas ao Governo no plano SÓS Hotelaria, em fevereiro de 2021. Por outro lado, ainda temos no horizonte muitas incógnitas sobre como vai ser 0 consumo da hotelaria pelo mercado nacional neste ano. Dito isto, e falando da medida em concreto, porque estamos a entrar na época alta, em que as famílias, por norma, consomem mais, as medidas que estimulem 0 consumo turístico e cultural são positivas. Acresce que a nossa expectativa, sustentada, como estamos a ver, nas indicações dadas pelos mercados europeus, nossos principais emissores — de que o Reino Unido foi agora um infeliz exemplo —, e noutros mais longínquos de crescente importância, como o Brasil e os EUA, é que o mercado interno vai ser neste verão e até ao final do ano 0 nosso “balão de oxigénio”. E a possibilidade de, nos três meses seguintes ao consumo do serviço/produto, parte do IVA do mesmo poder ser descontada em serviços análogos é, sem dúvida, interessante, precisamente porque esse desdobrar do consumo vai coincidir com a época baixa no turismo (outubro a dezembro). É por isso que, no entender da AHP — Associação da Hotelaria de Portugal, a utilização do IVAucher deve ser efetuada também aos fins de semana. Sobretudo em sectores como a hotelaria e a cultura, onde os fins de semana são os períodos naturalmente mais fortes de toda a semana, onde as pessoas consomem mais e em que, naturalmente, irão utilizar mais os descontos acumulados. Em suma, ainda que esta medida não seja suficiente para fazer crescer muito mais 0 consumo interno, é mais um incentivo, por isso importante. Daí também dever ser aplicada nos sete dias da semana, sem constrangimentos, tal como está previsto pelo Governo. Nem faria sentido ser de outro modo. in Expresso