Páscoa salva no turismo: hotéis mantêm reservas altas de norte a sul
Foi um respirar de alívio para os agentes turísticos, o anúncio do final da greve dos motoristas de mercadorias perigosas, que ameaçou parar o país com a falta de combustível, e em vésperas do fim-de-semana da Páscoa que marca o arranque da época mais forte. "Continuamos com boas expectativas para a Páscoa, quer em ocupação, quer em preço, estima-se que o impacto da greve não seja praticamente nenhum", adianta Cristina Siza Vieira, presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).
O cenário mudou radicalmente de um dia para o outro. Ontem, quarta-feira, muitos hotéis em todo o país estiveram em risco de fechar as portas por falta de gás para assegurar a operação, situação que hoje, quinta-feira, já ficou normalizada.
"As preocupações maiores da hotelaria nem eram as desistências de clientes, era o abastecimento de gás natural fora dos centros urbanos. E se não se entrasse em normalidade, a partir de sábado os hotéis começavam a entrar em ruptura", refere Cristina Siza Vieira, presidente-executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), frisando que "sem abastecimento de gás, a operação hoteleira não pode correr, estamos totalmente dependentes do gás para aquecimento de águas, pequenos-almoços, lavandarias, e todos os serviços que um hotel tem de ter".
Após fazer uma ronda junto dos delegados da associação nas regiões norte, centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, a responsável da AHP garante que "esta manhã a situação já foi normalizada e os hotéis puderam retomar a operação normal, garantido-se em todas as regiões o abastecimento de gás e também de víveres. Era uma condicionante muito grave, e em boa hora se normalizou a operação".
Além do stresse da falta de gás, os hoteleiros também receavam que do lado dos clientes houvesse ''no shows''. E as incertezas em ter gasolina ou gasóleo suficiente para assegurar as deslocações de ida e volta, levaram na quarta-feira, ainda no pico da crise, a algumas desistências por parte de portugueses, sobretudo no Alentejo, centro e norte, "destinos nacionais que não são servidos por avião, e as pessoas têm mesmo de se deslocar de carro até lá", faz notar Cristina Siza Vieira.
"Mas hoje (quinta-feira) o cenário já é outro. Logo de manhã as reservas voltaram a caír nos hotéis, e a expectativa é de retomar as ocupações altas para a Páscoa, até com a revisão em alta do tempo para o fim-de-semana", salienta a presidente-executiva da AHP, referindo que "os hotéis estavam ontem muito preocupados como ia correr o turismo interno e se ia haver cancelamentos. Mas as ligeiras quebras de 5% no caso do Alentejo, já foram hoje retomadas". Segundo a responsável, do lado dos estrangeiros não se registaram cancelamentos derivados da crise dos combustíveis.
"Neste momento não se estima que venha a haver prejuízos na indústria hoteleira com esta situação, avança Cristina Siza Vieira. A nota negra no dia de ontem (quarta-feira) foi o acidente na Madeira que vitimou 29 turistas alemães."É um acontecimento muito triste", refere a responsável da AHP, lembrando envolver"uma comunidade muito querida para o destino Madeira, e tudo faremos para dar o apoio que for necessário"..
Entretanto, a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) adiantou em comunicado que se "congratula com o acordo assinado entre a Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) e o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), que irá permitir retomar a regularidade do abastecimento de combustíveis".
Segundo Francisco Calheiros, presidente da CTP, "este acordo é uma excelente notícia para o país e para o turismo nacional". O responsável da Com a resolução desta greve, processo em que o Governo teve um papel essencial, terminam os constrangimentos que ameaçavam seriamente a atividade turística num período do ano em que existe uma forte procura turística. A CTP não pode deixar de saudar o entendimento conseguido pelas partes envolvidas nesta crise», afirma Francisco Calheiros, presidente da CTP.
Também a Secretaria de Estado do Turismo emitiu um comunicado avançando que "com o final da greve convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), através da mediação do Governo, garante-se que a operação turística durante o período de Páscoa se desenrolará com normalidade".
"Os turistas, quer nacionais quer estrangeiros, dispõem de todas as condições para viajar pelo país sem problemas", garante ainda a Secretaria de Estado do Turismo, frisando que "a Páscoa é um período importante para o turismo em Portugal, e estão reunidas as condições para que a atividade turística decorra de acordo com as previsões positivas dos operadores turísticos".
por Conceição Antunes, in Expresso