Turistas estrangeiros voltam a subir depois de vários meses de queda
Depois de algum abrandamento, o setor voltou a ganhar fôlego em novembro. Uma das razões deve-se à recuperação dos estrangeiros na hotelaria, com o mercado britânico, o mais importante, a crescer 7,6% nas dormidas
Depois de algum abrandamento, os dados do turismo voltaram a ser animadores. Os estabelecimentos hoteleiros e similares registaram 1,3 milhões de hóspedes e 3,3 milhões de dormidas em novembro. Estes valores representam um aumento de 6,3% e 4,6%, respetivamente, revelam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Estes resultados também contribuíram para um aumento dos proveitos, que registaram uma subida de 6,3% - bem acima do que se tinha verificado no mês anterior, altura em que subiram 2,8% -, totalizando 189,3 milhões de euros. Já os proveitos de aposento cresceram 6,1%, correspondendo a 134,3 milhões de euros.
A estada média (2,48 noites) reduziu-se 1,6% (+2,0% nos residentes e -2,2% nos não residentes), enquanto a taxa líquida de ocupação-cama (37,6%) aumentou 0,5 p.p. em novembro (-0,5 p.p. no mês anterior).
A par do aumento da oferta, outras prioridades do setor têm sido a subida do preço e a melhoria da taxa de ocupação por quarto. A Associação da Hotelaria de Portugal tem vindo a admitir que é possível melhorar o valor, tendo em conta o que o nosso país oferece em comparação com outros destinos. Essa necessidade também é reconhecida pelo governo, que tem defendido uma maior aposta no crescimento em valor, ou seja, subir as receitas turísticas e aumentar a rentabilidade das empresas.
MERCADO INTERNO PUXA PELO SETOR
E, tal como tem acontecido em meses anteriores, são as dormidas de residentes que estão a puxar pelo crescimento do setor. Só este segmento aumentou 10,9% (já em outubro tinha registado uma subida de 9,6%).
Já as dormidas dos não residentes voltaram a crescer, após sete meses com reduções. Em novembro assistiu-se a um aumento de 2,2% de turistas estrangeiros, quando no mês anterior tinham derrapado 2,7%.
Em novembro, o mercado interno contribuiu com 955,2 mil dormidas, enquanto o mercado externo corresponde a 23 milhões de dormidas. Nos primeiros 11 meses do ano, as dormidas de residentes aumentaram 5,3%, enquanto as dos não residentes diminuíram 2,2%.
Mas apesar deste crescimento verifica-se que há um arrefecimento quando se analisa o conjunto do ano. Entre janeiro e novembro, a subida de hóspedes foi de 1,6% (0,2% em termos de estrangeiros), com um recuo de 0,2% nas dormidas (menos 2,2% nos estrangeiros). No mesmo período de 2017 tinha havido uma subida de 8,7% nos hóspedes (11,6% em termos de estrangeiros) e de 7,2% nas dormidas (8,6% nos estrangeiros).
MERCADO BRITÂNICO VOLTA A CRESCER
Os 15 principais mercados emissores representaram 83,3% das dormidas de não residentes em novembro. O mercado britânico (17,2% do total de dormidas de não residentes) cresceu 7,6% em novembro, interrompendo a tendência de redução iniciada em outubro de 2017.
Desde o início do ano, este mercado registou um decréscimo de 8%. As dormidas de hóspedes alemães (14,8% do total) decresceram 9,6%. Mas nos primeiros 11 meses do ano, este mercado recuou 4,7%.
O mercado espanhol (10,2% do total) apresentou crescimentos de 20,7% em novembro e de 2,5% desde o início do ano.
No mercado francês (7,0% do total) verificaram-se reduções de 9,4% em novembro e de 2,6% no conjunto dos 11 primeiros meses do ano.
Em novembro, além do caso de Espanha, sobressaíram os crescimentos registados pelos mercados norte-americano (+25,4%) e canadiano (+10,3%).
Nos primeiros 11 meses do ano, o destaque vai para os mesmos mercados (+20,0% e +16,4%, respetivamente). :
REGIÕES TAMBÉM CRESCEM
Em novembro registaram-se aumentos em todas as regiões, com destaque para o Norte (12,8%) e Alentejo (11,6%). Neste mês houve um incremento de 143,7 mil dormidas (face a igual mês do ano anterior), das quais 42,1% foram provenientes do Norte (60,6 mil dormidas adicionais) e 29,7% do Algarve (acréscimo de 42,7 mil dormidas). Também a Área Metropolitana de Lisboa, que recebeu a Web Summit no início desse mês, cresceu 1,8%.
A Madeira foi a única exceção na tendência de subida das dormidas em novembro, ao cair 3,1%.
in Jornal i, por Sónia Peres Pinto