Bernardo Trindade entra em força na corrida à CTP: candidatura diz ter já 60% dos apoios
A corrida à presidência da Confederação do Turismo de Portugal pode estar a ganhar um favorito. A candidatura de Bernardo Trindade afirma ter já assegurado declarações de apoio correspondentes a cerca de 60% do universo eleitoral da CTP, numa demonstração de força que altera substancialmente o equilíbrio da disputa pela sucessão de Francisco Calheiros.
Se os apoios agora anunciados se traduzirem em votos no momento da eleição, Bernardo Trindade parte para a próxima fase da corrida à CTP com uma vantagem muito expressiva sobre Pedro Costa Ferreira, o outro candidato já assumido à presidência da Confederação para o mandato 2027-2030.
E não é apenas a dimensão dos apoios que chama a atenção. A candidatura do atual presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) conseguiu reunir entidades provenientes de praticamente todas as áreas relevantes da atividade turística, da hotelaria à aviação e aeroportos, passando pelos casinos, rent-a-car, golfe, resorts, cruzeiros, restauração e promoção turística, além de organizações empresariais de diferentes regiões do país.
Entre as associações que declararam apoio encontram-se a AHP – Associação da Hotelaria de Portugal, APHORT – Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo, AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, ARHCESMO – Associação dos Hoteleiros de Cascais, Estoril, Sintra, Mafra e Oeiras e ADHP – Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal.
Mas a candidatura ultrapassou claramente as fronteiras da hotelaria, juntando também a ARAC – Associação Nacional dos Locadores de Veículos, APC – Associação Portuguesa de Casinos, CNIG – Conselho Nacional da Indústria do Golfe e APR – Associação Portuguesa de Resorts.
No plano regional surgem ainda a ACIF-CCIM – Associação Comercial e Industrial do Funchal, ACISO – Associação Empresarial Ourém-Fátima e Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, bem como entidades de promoção turística de Lisboa, Porto e Norte e Algarve.
Pesos pesados da hotelaria alinham com Trindade
Ainda mais significativa é a lista de empresas que já se colocaram ao lado de Bernardo Trindade.
Entre os grupos hoteleiros encontram-se alguns dos maiores operadores nacionais, como Pestana Hotel Group, Vila Galé Hotéis, SANA Hotels, HOTI Hotéis, Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, ALTIS Hotels, SAVOY Signature, NH Hotels, Grupo Solverde, PHC Hotels, SC Hospitality, Turistrela, PALMINVEST e Dom Pedro Algarve e Madeira.
Fora da hotelaria, o apoio estende-se a nomes particularmente relevantes na cadeia de valor do turismo, entre os quais ANA – Aeroportos de Portugal, SATA Air Açores, Grupo Ibersol, DouroAzul, Estoril Sol, Sociedade Figueira Praia, IAFE – Instituto da Empresa e Lisbon Cruise Port.
A transversalidade desta lista dá conteúdo à estratégia que Bernardo Trindade tem procurado imprimir à candidatura: deixar de ser visto apenas como o candidato da hotelaria e apresentar-se como candidato de uma parte muito mais ampla do turismo português.
O tabuleiro mudou
Quando, em maio, o Opção Turismo noticiou que a AHP avançava com Bernardo Trindade para liderar a CTP, a eleição começava a desenhar-se como um confronto entre a hotelaria e o setor das agências de viagens.
A confirmação, em julho, da candidatura de Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT, reforçou essa leitura.
Costa Ferreira apresentou-se com o apoio inicial da AHRESP, ALEP, APECATE, APAVT e ARP, defendendo uma CTP mais interventiva, mais próxima das regiões e mais participada pelas associações que a integram.
Do outro lado, Bernardo Trindade iniciou a corrida apoiado pela AHP, mas a fotografia agora divulgada é substancialmente diferente.
A candidatura afirma reunir atualmente apoios equivalentes a cerca de 60% do universo eleitoral da CTP, o que, a confirmar-se no momento da votação, coloca Trindade numa posição claramente dominante na corrida.
Há, naturalmente, uma diferença entre uma declaração de apoio e um voto efetivamente depositado numa eleição. Mas, numa estrutura associativa como a CTP, a dimensão e sobretudo a diversidade dos apoios agora tornados públicos constituem um sinal político difícil de ignorar.
E aumentam inevitavelmente a pressão sobre Pedro Costa Ferreira para demonstrar capacidade de alargar a sua própria base eleitoral.
Bernardo Trindade vai agora ao terreno
Curiosamente, depois de revelar uma posição que aparentemente lhe é já muito favorável, Bernardo Trindade entra agora numa fase de auscultação dos associados.
Depois de uma deslocação à Madeira em agosto, a candidatura tem previstos encontros no Algarve, a 18 de setembro, e no Porto, a 21 de setembro, seguindo-se Lisboa.
A estratégia passa por ouvir diretamente associações e empresas, recolher contributos e construir a partir daí o programa eleitoral.
Competitividade, investimento, recursos humanos, acessibilidades e capacidade de aumentar o valor criado pelo turismo deverão estar entre os principais temas em discussão.
A lista completa para os órgãos sociais da CTP e o programa da candidatura serão apresentados posteriormente.
Uma eleição que pode começar a decidir-se antes das urnas
A sucessão de Francisco Calheiros prometia ser uma das disputas associativas mais interessantes dos últimos anos no turismo português.
Calheiros preside à CTP desde 2012 e deixa o cargo depois de quase década e meia à frente daquela que é a principal confederação empresarial do turismo e parceiro social do Estado.
Pedro Costa Ferreira e Bernardo Trindade chegaram à corrida com perfis muito diferentes e bases de partida igualmente distintas: o primeiro depois de quase 15 anos à frente da APAVT; o segundo com um percurso dividido entre a hotelaria, a governação e o associativismo empresarial.
Mas os números agora apresentados pela candidatura de Bernardo Trindade introduzem um novo elemento na equação.
Com cerca de 60% do universo eleitoral da CTP já associado publicamente à sua candidatura, Bernardo Trindade deixa de ser apenas um dos dois candidatos à sucessão de Francisco Calheiros. Neste momento, é o homem que parte à frente.
A questão passa agora a ser saber se Pedro Costa Ferreira consegue inverter a relação de forças — ou se a eleição para a presidência da CTP começa, afinal, a decidir-se muito antes de chegar às urnas.