O que precisa o sector do Turismo para voltar a ser um motor da economia?
Opinião de Raul Martins, presidente da AHP
Abrir Fronteiras e Manter Empresas são grandes desafios
Já todos sabíamos que o Turismo seria o último a recuperar desta pandemia, por vários fatores, mas, sobretudo, porque está muito dependente da confiança de quem viaja. Só quando conseguirmos alcançar a imunidade de grupo, nós e os nossos principais mercados emissores, é que poderemos começar a falar de recuperação.
Até lá, o grande desafio passa por abrir as fronteiras para quem estiver vacinado e manter as empresas e os postos de trabalho.
O início de 2021 foi muito difícil para o Turismo e para a Hotelaria. Por isso, a AHP preparou, em conjunto com os empresários hoteleiros seus associados, um Plano – Plano SOS Hotelaria – que entregou ao Governo no passado mês de fevereiro e que propõe dois eixos imprescindíveis à sobrevivência das empresas hoteleiras: um fiscal e outro financeiro, para além de um conjunto de medidas de estímulo à economia do turismo. Entretanto o Governo apresentou um conjunto de novas medidas, mas que não chegam.
Para que as empresas sobrevivam, é fundamental que haja uma linha de crédito para o turismo que possa ajudar a suportar custos fixos gerais e operacionais, e que a redução da TSU seja de 100%, sobretudo nesta fase em que o plano de desconfinamento ainda está em curso, os aviões ainda estão em terra, não esquecer que dependemos 90% do transporte aéreo, as fronteiras terrestres ainda estão encerradas (e ainda não há previsão de abertura), pelo que ainda não podemos contar com os turistas que vêm por essa via. Também o apoio à retoma progressiva tem de ser prolongado até junho de 2022, bem como as moratórias.
Neste momento, já existem algumas reservas para verão e há também os primeiros sinais vindos de alguns mercados importantes para Portugal, como é o caso do Reino Unido e dos Estados Unidos. Agora é fundamental apostar numa grande campanha de promoção do destino e que incentive ao consumo, tanto do mercado interno como do externo. Entretanto, é urgente a concretização do Digital Green Certificate que trará a tal confiança a quem viaja e que é fundamental para que haja recuperação do Turismo.
Leia o caderno completo publicado no Jornal Económico, de 30 de abril, aqui.