Companhias lançam novas rotas no verão com a expectativa de recuperação
Retoma gradual está dependente do sucesso da vacinação e evolução da pandemia. Há otimismo no horizonte, mas a prudência dita as estratégias das transportadoras aéreas para a época estival.
As principais companhias aéreas a operar em Portugal estão a preparar o verão com cautela. Os planos integram a abertura de novas rotas e o aumento das frequências nos aeroportos nacionais, mas reconhecem que a estratégia pode sofrer alterações. Uma evolução positiva da pandemia e o sucesso da vacinação em massa na Europa são fatores chave para que o setor inicie uma recuperação gradual nos próximos meses. Depois da hecatombe registada em 2020 - o pior ano da história da aviação comercial -, as transportadoras admitem que atingir o nível de atividade da pré-pandemia é ainda uma miragem.
O grupo Lufthansa vai, pela primeira vez, apostar no destino Açores. A companhia aérea alemã vai avançar já a 23 de maio com uma rota semanal entre Frankfurt e Ponta Delgada e, um mês depois, reforçar esta ligação a partir de Genebra, numa parceria com a Swiss, adiantou Patrick Borg Hedley, diretor de vendas da transportadora. Depois de no primeiro trimestre do ano ter sido forçada a reduzir "drasticamente" a oferta para Portugal devido às restrições nas viagens para controlar a disseminação do vírus SARS-CoV-2, a Lufthansa prevê agora reforçar gradualmente as frequências nos aeroportos nacionais. Como revelou o responsável, o objetivo é passar das 12 para as 48 ligações semanais em Faro, de 27 para 83 em Lisboa, de 31 para 69 no Porto e de quatro para seis no Funchal. No atual cenário, a companhia prevê que este verão as frequências para Portugal fiquem "um pouco abaixo dos níveis de 2019 (-4%)".
A TAP, que enfrenta um processo de reestruturação, estabeleceu como objetivo ter em operação em agosto - o mês de excelência para o turismo português - 100 rotas e mais 880 voos por semana. Em território nacional, a transportadora portuguesa decidiu apostar nas ligações com as regiões autónomas da Madeira e Açores. A partir de junho, a oferta integra seis voos semanais para o Porto Santo a partir de Lisboa e, um mês depois, reforça as ligações com o Funchal, com cinco ligações diárias de Lisboa e dois do Porto. Para os Açores, os planos da companhia preveem 12 frequências por semana entre Lisboa e Ponta Delgada, e três com partida do Porto. A rota Lisboa-Terceira irá contar com um voo diário. Segundo já comunicou, esta estratégia, que integra também o reforço de ligações entre Lisboa, Porto e Faro, está assente na evolução da pandemia, na análise da procura e na rentabilidade das rotas.
Confiante no regresso a alguma normalidade no verão, a TAP decidiu lançar oito novas rotas para a Europa e África (Fuerteventura, Ibiza, Santiago de Compostela, Zagreb, Djerba, Agadir, Monastir e Oujda), sendo que estreou há poucas semanas a ligação Lisboa-Cancun. Gradualmente a transportadora de bandeira portuguesa quer repor a sua operação, embora admita uma "recuperação lenta" devido aos constrangimentos à mobilidade das pessoas e ao tráfego aéreo. Angola, Moçambique, S. Tomé, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Brasil, EUA e Canadá são destinos que integram o plano de estio da empresa, mas há o alerta que a pandemia torna incontornável: "a lista de rotas e voos disponível em sistema de reservas será ajustada sempre que as circunstâncias o exijam". Ainda assim, as estimativas mais recentes apontam para que a retoma se possa iniciar neste período, com a percentagem da capacidade suspensa a diminuir para menos 45% em junho face a igual período de 2019.
O grupo Air France-KLM reconhece que, neste momento, tem "uma visão um pouco limitada da curva de recuperação da procura", visto que os clientes estão muito orientados para reservas para o curto prazo, disse fonte oficial. Contudo, quer "aumentar progressivamente a capacidade até ao verão e espera uma recuperação no segundo e terceiro trimestre de 2021, estando esta sujeita à vacinação em massa das populações". Neste cenário, a companhia vai manter as ligações com Paris a partir de Lisboa e Porto, e o mesmo sucede com Amesterdão. Para já, a novidade é o regresso a 6 de maio da rota Faro-Paris.
A norte-americana Delta Air Lines mantém a operação entre Portugal e os EUA suspensa devido às restrições governamentais de entrada nos países, mas "estamos a monitorizar a situação e esperamos retomar os voos assim que a fronteira com Portugal for reaberta aos viajantes norte-americanos", disse fonte da transportadora. A Delta admite que o seu negócio internacional "ainda tem um longo caminho a percorrer e deverá levar entre 12 a 18 meses a mais do que a nossa operação nos EUA", que começa a dar sinais positivos de retoma, para regressar aos níveis pré-pandémicos.
Low cost a duas velocidades
Ryanair, easyJet e Transavia, companhias aéreas de baixo custo, assumem diferentes estratégias no verão, com a transportadora irlandesa a apresentar-se mais agressiva. A Ryanair apostou numa programação para o verão que inclui duas novas rotas, que vão ligar diariamente Faro a Belfast e, duas vezes por semana, Lisboa a Colónia, e no restabelecimento de dez ligações, oito das quais a partir do aeroporto do Porto (Bremen, Bolonha, Brive, Carcassonne, Marraquexe, Sevilha, Toulouse e Veneza) e duas desde Lisboa (Málaga e Sevilha). No total, a companhia propõe-se explorar este verão 595 voos semanais e 121 rotas.
Em junho, a easyJet abre a sua terceira base nacional, em Faro, destino que vai reforçar com uma ligação a Birmingham e no qual, em dezembro passado, apostou com um voo para Amesterdão. Para José Lopes, diretor da easyJet em Portugal, "a chegada do verão será um dos momentos mais importantes da retoma", mas para isso é necessário que os objetivos de vacinação sejam cumpridos e os números da pandemia registem um padrão positivo". Para já, a oferta da transportadora britânica é de cerca de 21% da capacidade "normal" (números de abril) quando comparada com 2019. Em maio, a expectativa é que aumente para 29% e em junho possa chegar aos 59%, adiantou o responsável. Mas a cautela domina. Como frisou, "o mercado encontra-se bastante volátil perante as restrições governamentais" e "estes valores terão ainda de ser revistos três vezes".
A Transavia está a operar 22 rotas nos quatro aeroportos portugueses desde o início do calendário de verão da aviação comercial, 28 de março. A transportadora low cost do grupo Air France-KLM adiantou que "enquanto não forem levantadas todas as restrições de viagem, incluindo em França, o programa de voos, tanto em Portugal como a nível global, continua sujeito à evolução sanitária".
in Dinheiro Vivo, por Sónia Santos Pereira
Foto: José Carmo/Global Imagens