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21 August 2017

Trabalhar o máximo, ganhar o mínimo

Olha a selfie barata!" "Pauzinho de selfie?" "Selfie stick?" O pregão não varia muito junto ao Mosteiro dos Jerónimos. Do lenço "típico português" fabricado no Bangladesh, passando por pêssegos paraguaios até cabos extensíveis para o autorretrato, tudo é negócio quando o assunto é turismo. Três amigos lituanos aguardam os 40 minutos da praxe para visitar o monumento. "Nada que não aconteça em qualquer outra grande cidade europeia, com a diferença de que aqui corremos maior risco de insolação", comentam, apetrechados de lenços e bonés. Estão hospedados na Baixa lisboeta, "onde uma senhora muito amorosa cozinha para todos". Atendimento familiar na era do turismo de massas? É de elogiar. Mas o Turismo de Portugal (TP) está preocupado com a formação dos trabalhadores. "Falamos sempre da promoção mas esquecemo-nos de que há uma parte de back office [bastidores] que é importante acautelar", avisa o presidente, Luís Araújo. O sector tem crescido 3% ao ano, aumentou 20% em receitas e vale 11% do PIB. Mas, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a remuneração média dos trabalhadores nas áreas do alojamento, restauração e similares é de €614. Entre 2015 e 2016, o emprego a prazo acelerou e os salários médios caíram. São eles, no entanto, que fazem o turismo acontecer na rua, e a mais recente análise do TP indica que 60% dos trabalhadores do sector têm o ensino básico. "Mesmo assim, temos os resultados que temos. Imagine-se como seria se tivessem formação", sugere o responsável, revelando que o objetivo é reverter o cenário.     "Até 2027, queremos que 60% das pessoas tenham o ensino secundário ou técnico-profissional." Óleo na máquina Numa das casas mais concorridas de Lisboa, a dos Pastéis de Belém, a experiência parece valer mais do que a formação. E o TP também sabe disso: "Posso ter uma pessoa com o ensino básico e um atendimento cinco estrelas. Tem que ver com a atitude", sublinha Luís Araújo. Uma funcionária conduz os turistas às mesas, um segurança vigia o espaço, um guia atesta que pastéis "como os de Belém não há" e quatro funcionários circulam de bandeja na mão. Todos bem-dispostos, todos poliglotas, como numa orquestra. "Vítor, olha a mesa 23."     "Ana, viste a 28?" Durante a época alta, é assim todos os dias, das oito da manhã à meia-noite. Lisboa não é Nova Iorque, mas não é fácil trabalhar numa cidade que já dormiu mais. Fosse este o compasso daqui a 1500 metros, junto à Torre de Belém, o segundo monumento mais visitado do país, que tem capacidade para receber 120 pessoas de cada vez. Uma hora de espera depois, John surpreende-se: "Não sou nada bom em filas, mas aqui não estou tão tenso quanto deveria." Talvez o violonista que intercala Andrea Bocelli com o 'Despacito' ajude. Mas, sob o desespero de um sol que mói, assim que o britânico percebe que há uma segunda fila a andar mais rápido (destinada a quem tem bilhetes pré-comprados), a conversa é outra: "Isto é completamente ridículo! Comprámos o Lisboa Card, que, no fundo, é um bilhete e temos de estar aqui este tempo todo, porque não nos informaram devidamente!" Os italianos já desistiram, os espanhóis reclamam, furiosos. Duas horas e meia e quatro 'Despacitos' depois, entramos, com a resposta: "Multibanco fora de serviço." "Temos problemas de rede", reage, seca, a funcionária. Entregamos a carteira de jornalista, mas o documento não consta "no protocolo". A solução, após alguma insistência, é entrar como residente em Lisboa.     A rotatividade da bandeja     Se a ideia, depois de pouca água, é experimentar o vento de um tuk-tuk até ao Chiado, o condutor é honesto e aconselha, em inglês: "Temos um preço único, de 20 euros. Estando sozinha, é melhor ir de táxi." O taxista, também dominando a 'língua global', reage aos pedidos de informação sobre Lisboa. "Temos de saber falar línguas. Inglês, especialmente, embora eu só tenha aprendido francês na escola." Explica como funciona o taxímetro e aconselha um restaurante nas costas do Teatro de São Carlos, onde nos cobram indevidamente o couvert mas atendem com profissionalismo. Concluído o repasto, o café, claro, é n'A Brasileira. Há um lugar livre, cinco empregados de mesa, quatro dos quais terão entre 18 e 22 anos.     Em 2010, os trabalhadores desta casa histórica iniciaram uma série de protestos contra o não cumprimento dos seus direitos, acusando a administração de questões como a alteração diária do horário de trabalho. Sete anos depois, os funcionários são outros - a rotatividade, aqui como em tantos outros estabelecimentos de restauração, é elevada - mas o ordenado mantém-se "uma miséria", reconhece Ivan, de 42 anos, com 20 de experiência no sector, que ganha o salário mínimo desde que integrou o clássico pessoano, há seis anos. Não foge muito à média apurada pelo INE. O que salva as contas, muitas vezes e off the record, são as gorjetas.     Entretanto, o número de hóspedes aumentou para 9,35 milhões no primeiro semestre e começam a faltar trabalhadores, sobretudo nas áreas de atendimento (ler entrevista ao lado). "É preciso passar a mensagem de que o turismo não deve ser uma segunda opção. Ir para uma escola ou para um politécnico de turismo não é porque a pessoa tem menos capacidades e sim porque reconhece que terá um maior futuro", defende o presidente do TP.     Para Ivan, há 20 anos, o futuro era hoje ter um ordenado de 557 euros para dar conta de um "trabalho pesado". "Há pessoas que não têm estofo para isto", garante. "É preciso gostar, ter força de vontade, ser simpático e bem-educado. E quando digo isto é com base naquilo que os meus pais me ensinaram", explica o funcionário, que sintetiza assim o restante processo de formação: "Chega e desenvencilha-te."     Porto: um "atendimento impecável"     Segunda-feira, ao início da tarde, a Baixa do Porto fervilha. A fila de 70 metros e 200 pessoas impressiona em frente à Lello, a livraria de fachada neogótica inspirada no Mosteiro da Batalha. Na loja que serve de base à bilheteira, Sara dobra camisolas e recoloca adereços no lugar. Está aqui há dois meses, tem cara de miúda mas revela-se experiente. Responde com facilidade às perguntas que lhe colocámos e não se inibe de aconselhar monumentos. "A fila é grande, mas não assusta e anda depressa. Quem comprar agora terá de esperar, pelo menos, meia hora", esclarece, com simpatia. E os dois meses de experiência? "Excelente, mais gratificante que o emprego anterior", responde. Olha, o turismo a fomentar a mobilidade laboral.     A madrilena Elsa regressa da bilheteira com quatro entradas. É uma repetente na Lello, desta vez está com três amigas. "Vale a pena a espera? Claro, porque a livraria é imperdível", responde. Mas reconhece que filas daquelas só as encontra quando vai esquiar para a Serra Nevada. Uma família brasileira acolhe um bebé que dorme no carrinho. "Incómodo é só quando os automobilistas desatam a buzinar", confessa a mãe, Solange. E como tem sido o atendimento nos estabelecimentos e transportes? "Até agora, impecável, o pessoal é muito atencioso." À sua frente, o italiano Giovanni nota que "alguns museus e espaços comerciais fecham muito cedo, mas os funcionários são sempre cordiais e prestáveis". Na praça de tuk-tuks dos Loios, Ana Rita combina um circuito pelo centro histórico com um casal de italianos.     Afivelamos um ar de turista francês com dúvidas e desconfianças para testar a simpatia. Ana Rita revela-se uma boa conversadora. Imperturbável, explica as opções e garante "que mais silencioso e cómodo do que o tuk-tuk não há", com a vantagem adicional de circular por vielas, chegar a sítios interditos a outros meios e de ficar a saber tudo sobre os monumentos por onde se passa. Eis a deixa para um segundo teste: "Explique, então, a origem da Sé Catedral." Ana Rita não desarma e inicia a narrativa.     Metro e cruzeiros     É ainda na pele de turista francês que nos dirigimos ao Tourism Point, na Rua Mouzinho da Silveira, com duas perguntas engatilhadas: que monumentos se deve visitar e como chegar ao aeroporto? Alicia saca de mapas e começa por sugerir e sinalizar a Torre dos Clérigos, a Sé, o Palácio da Bolsa e o Mosteiro de São Bento da Vitória, que lhe sugere uma afetividade especial. No caso do aeroporto, defende que o metro é a melhor opção, explicando como proceder, já que a rede é, por vezes, fator de inquietude para os turistas. Alguns dizem que é preciso um curso para circular nela e que não encontram quem forneça informações nas estações. Na estação de metro de São Bento, de facto, não existe pessoal de apoio.     Os poucos turistas que circulam denotam desorientação. A exceção é um casal japonês que lida com a máquina com destreza e sabedoria. Os residentes sabem que pessoal de apoio só em estações centrais, como a Trindade ou a Casa da Música, e que nem sempre as máquinas permitem a compra do Cartão Andante ou devolvem o troco da operação. Na Ribeira, é a grande invasão. Bares e esplanadas cheios, é um São João em pleno agosto. Circular é difícil, mas o movimento só é caótico junto ao acesso aos cruzeiros no momento do embarque à procura do melhor lugar. O Chez Lapin é um clássico da restauração local. Pouco depois das três da tarde é ainda hora de ponta.     Ocupámos a única mesa livre e logo chega Leandro, que nos entrega a lista e sugere polvo ou bacalhau, regressando à copa em corrida. Perguntamos se o pessoal é suficiente. "Sim, se o movimento é mais concentrado despachamos mais depressa. O normal é as mesas estarem todas ocupadas", responde Leandro. Depois de um passeio junto ao Douro, é altura de regressar à Praça da Liberdade para uma cerveja vespertina.     No Petisco da Liberdade, o movimento é pouco intenso, mas ainda assim duas mesas esperam minutos pelo atendimento. A empregada desaparecera no interior da cervejaria, mas ninguém dá sinais de impaciência ou azedume. O tempo é de férias. Maurice inspeciona o chapéu de cortiça que comprara na Prometeu Artesanato. "Portugal é o país da cortiça, não é verdade?", justifica-se. E como têm sido atendidos? "Sempre muito bem", responde o francês, que dá "nota máxima" à degustação de Vinho do Porto, à incursão pelas caves e ao passeio pelo centro histórico, "conduzido por um senhor chamado Lapin (Coelho)". Como é bela a vida de turista no Porto!     'TURISTIFICAÇÃO'     53,5 milhões de dormidas foram registadas em Portugal em 2016. No primeiro semestre deste ano, foram mais de 25 milhões, uma subida de 9,6% relativamente aos primeiros seis meses do ano passado     52 mil novos empregos foram criados no sector este ano, segundo dados do INE, que não considera atividades como a animação turística ou a organização de eventos     89% é a taxa de empregabilidade dos alunos das escolas do Turismo de Portugal. No caso dos cursos de cozinha, a percentagem sobe para 100     das pessoas que trabalham no sector têm o ensino básico, de acordo com a análise feita no âmbito da Estratégia Turismo 2027. O Turismo de Portugal quer que, daqui a dez anos, 60% dos profissionais tenham o ensino secundário ou técnicoprofissional     614 euros é o rendimento médio líquido no alojamento, restauração e similares, segundo o INE. Na hotelaria, separadamente, a AHP indica um valor superior a €1000     "O sector quer mais atitude. Os alunos das nossas escolas vão ter aulas de teatro, expressão corporal, storytelling, e vamos reforçar os idiomas. É importante haver formação, mas tem de ser a certa"    Luís Araújo     "Temos de continuar a apostar nas áreas de serviço ao cliente, porque é através dele que conseguimos fidelizar/ captar e manter turistas" Raul Martins, Presidente da Associação da Hotelaria de Portugal     "O crescimento sustentável do turismo reflete-se em aumentos mais expressivos no valor gasto por cada turista do que no número de hóspedes, bem como no crescimento da atividade em todas as regiões" Ana Mendes Godinho Secretária de Estado do Turismo     Raul Martins Presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP)     "A rotatividade não é um drama"     A AHP quis apurar o salário dos trabalhadores junto dos mais de 600 associados para demarcar a hotelaria do resto do sector. Encontrou um ordenado médio de €1035, mas concorda com o Turismo de Portugal: a falta de profissionais qualificados é uma preocupação. Arrancaram, por isso, este mês, com a AHP Hotel Academy, nas zonas que mais precisam: Norte, Centro e Alentejo.     Faltam pessoas qualificadas para trabalhar no turismo?     Por força do aumento da oferta de empreendimentos e da procura, há necessidade de mais profissionais. E as escolas de hotelaria não têm capacidade para responder a este aumento. Estamos preocupados que possam aparecer profissionais não habilitados para cumprir determinadas funções. Se o crescimento da procura continuar - e este ano aumentámos 10% em relação a 2016 o número de dormidas e 20% em receitas - é natural que haja alguns profissionais sem formação. Portanto, nada melhor do que antecipar esse risco.     É preciso formar em que áreas?     A formação de uma empregada de quartos, por exemplo, faz-se no próprio papel, segundo as normas do hotel. Agora, naturalmente que um cozinheiro tem de vir formado de uma escola. Já não há à frente de uma cozinha uma senhora que cozinha bem, sem formação. Talvez aconteça na província ou, então, só em restaurantes é que isso será mais possível. Um hotel também não admite um empregado de mesa que não tenha formação. Mas é claro que às vezes aparecem profissionais formados noutras áreas, como é o caso do marketing, e que se podem encaixar em diferentes funções da hotelaria.     Quais são as maiores necessidades, em termos de trabalhadores, do sector?     Nas habilitações mais elevadas é onde há menos falta, porque as pessoas com poucas qualificações são cada vez menos. Por isso é que ao nível de empregados de limpeza e de quartos temos imensos estrangeiros [fora dos principais meios urbanos, o levantamento da AHP aponta para a carência de pessoas que dominem idiomas como o inglês, para ocupar funções de receção].     Muitas vezes o sector é visto uma área em que é fácil encontrar trabalho e não tanto para seguir carreira.     Há pessoas que querem ter mais desafio e dificuldades e sentem-se pouco valorizadas nestas situações. Há imensas pessoas que fazem cursos de gestão em hotelaria, mas não temos hotéis suficientes para todos serem diretores. O que lhes aparece é [a oferta de] rececionista. Mas depois passam para subchefe e chefe de receção. Têm de fazer uma carreira. Como se costuma dizer, na tropa não se começa general.     As empresas estão preparadas e dispostas a pagar de acordo com a formação que exigem aos profissionais?     Claro que sim. E o que acontece muito é a progressão na carreira dentro do próprio estabelecimento, porque os empresários preferem ter gente que conhece as condições, os hábitos, a maneira de trabalhar da empresa. Por força da rotatividade do pessoal, os melhores têm mais probabilidade de aumento [do ordenado].     Como se combate a alta rotatividade?     A rotatividade não é um drama, tem inconvenientes e vantagens. As pessoas ficarem toda a vida no mesmo local não é necessariamente bom; é preciso renovar.     Quiseram estudar o panorama salarial da hotelaria para se demarcarem dos €614 pagos, em média, no sector?     Sim, quisemos fazê-lo porque as estatísticas não discriminam os subsectores [o INE traça um retrato global do alojamento, restauração e similares]. Questionámos empreendimentos turísticos de todos os níveis e pessoal nas diferentes funções [entre maio e agosto] e chegámos, assim, a uma média de €1035 mensais.     Diz que é preciso existir um limite de alojamentos. Qual é o número razoável?     Acho que em cada bairro não deveria haver mais do que 25 a 50% da área de construção para o turismo. Se não, corre- -se o risco de descaracterizar as cidades. Até os turistas em Barcelona já acham que há turistas a mais. E nós, quando vemos a casa dos outros a arder, temos de olhar para a nossa. Ainda assim, estamos muito abaixo de cidades como Barcelona, Londres ou Paris em termos de percentagem de turismo. in Expresso, por Abílio Ferreira e Rute Barbedo

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14 August 2017

Confederação do Turismo apela à responsabilidade dos inspetores do SEF com greve marcada para 24 e 25 de agosto

A Confederação do Turismo Português (CTP) apelou hoje à "responsabilidade e ao entendimento" dos inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que estarão em greve de 48 horas em agosto, para "evitar os efeitos negativos" para os passageiros. A 04 de agosto, os inspetores do SEF entregaram um pré-aviso de greve para os dias 24 e 25 de agosto em protesto contra a ausência de respostas do Governo às dificuldades do setor e, em comunicado hoje emitido, a CTP dirige-se a estes inspetores apelando para que esta paralisação não penalize os passageiros. Citado na nota, o presidente da CTP, Francisco Calheiros, reconhece que "o SEF é essencial ao funcionamento e à qualidade de prestação do serviço de acolhimento de passageiros nos aeroportos e à segurança nacional" e antecipa que esta greve, que acontece em época alta, "vai com certeza causar grandes transtornos na principal porta de entrada dos turistas em Portugal". "É nesse sentido que faço votos de entendimento entre todas as partes envolvidas, de forma a podermos dar a melhor resposta a todos os passageiros que, nesses dias, passarem pelos aeroportos portugueses", refere ainda Francisco Calheiros. Sublinhando que "não discute os argumentos que estão na origem" desta greve e que "apenas manifesta a sua preocupação com os efeitos" que terá, a CTP defende que, ainda que o direito à greve esteja constitucionalmente previsto, "não é um direito que possa ser tido como absoluto, tendo necessariamente de se conciliar com outros fundamentais, também eles constitucionalmente consagrados". O pré-aviso de greve apresentado pelo Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF (SCIF/SEF) estende-se a todos os locais de trabalho, entre as 00:00 do dia 24 de agosto e as 24:00 do dia 25. Na origem da greve está "a ausência de respostas concretas por parte da ministra da Administração Interna face às dificuldades públicas que afetam o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, nomeadamente em relação à admissão de recursos humanos e capacitação operacional do SEF". O sindicato que representa os inspetores do SEF já tinha ameaçado a 25 de julho realizar uma greve caso a ministra da Administração Interna não respondesse, até ao final do mês do julho, às principais reivindicações destes profissionais. Os inspetores do SEF exigem o início das negociações da lei orgânica e estatuto profissional, abertura de concurso externo de admissão de novos funcionários e avaliação dos elementos da carreira de investigação e fiscalização do SEF para que sejam concretizadas as promoções e progressões com previsão no próximo Orçamento do Estado, além da finalização do regime de piquete e prevenção e ausência de investimento em meios materiais considerados imprescindíveis. in TSF online

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07 August 2017

Portugal vai ter mais 8000 quartos até 2018

O novo hotel de cinco estrelas vai abrir já no final do mês, ocupa um quarteirão inteiro no histórico bairro do Cais do Sodré, mas permanece um dos segredos mais bem guardados em Lisboa. Propriedade de uma família portuguesa, o Hotel Corpo Santo envolveu investimentos de €20 milhões, tem 79 quartos e suítes distribuídos por cinco pisos, e a sua obra, onde se reabilitaram três edifícios inteiros, foi condicionada por inúmeros achados arqueológicos — incluindo 32 metros de muralha fernandina — que vão ficar expostos numa área própria do hotel.     “Foi uma surpresa descobrir tanta peça arqueológica e com tanto valor, mas no fundo será isto que nos diferencia, pois vamos disponibilizar às pessoas uma parte da nossa história, que estava escondida, e com um espaço vivo para poderem apreciar ou tirar selfies”, adianta Pedro Pinto, diretor do Hotel Corpo Santo e recém-saído do Altis Belém, onde tinha idênticas funções. O hotel vai ter diárias médias de €250, e mesmo antes da abertura já está com as reservas em alta, prevendo ocupações anuais da ordem dos 20%. “Estamos no centro da cidade, que está numa expansão brutal ao nível de preços. E apesar de todo o serviço, é um hotel descomplexado face aos tradicionais cinco estrelas, e foi todo pensado para o cliente se sentir em casa e ter uma vivência própria de Lisboa, tendo aqui ao lado a Praça do Comércio ou o Mercado da Ribeira”.     O salto de grandes hotéis em 2018     À semelhança do Hotel Corpo Santo, multiplicam-se os casos de hotéis que estão a nascer em Portugal por iniciativa de investidores privados, somando-se aos projetos de grupos hoteleiros consolidados, como Pestana, Vila Galé, Sana ou Hoti, também eles de olho no crescimento turístico e em fase de expansão do portefólio.     Segundo a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), em 2017 e 2018 irão abrir as portas 83 hotéis no país, envolvendo “construção nova ou reabilitação”, e em cima de um ano profícuo neste campo como foi 2016, em que abriram 33 hotéis. Frisando que a lista “não é exaustiva” e resulta de uma análise feita pela associação, Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP, adianta que os 41 hotéis previstos para abrir em 2017 irão trazer um acréscimo de 3 mil quartos, e “quando olhamos 2018, em que se preveem 42 novas unidades, já estamos a falar de mais 4600 quartos, o que é brutal”. Tendo em conta as ampliações de unidades no âmbito de projetos de remodelação que também estão a avançar a ritmo acelerado (ver texto ao lado), facilmente se pode falar, e contas feitas por baixo, de mais 8 mil quartos de hotel em Portugal até ao final de 2018.     “É um verdadeiro batalhão de quartos que vai brotar no país, e se 2017 ainda é um pouco o tempo das pequenas unidades, 2018 já será o salto para os grandes hotéis”, salienta Cristina Siza Vieira. “Analisando a dimensão média dos hotéis que estão para abrir, em 2017 anda em torno dos 70 quartos por unidade, mas em 2018 já é quase o dobro, passando para 122 a 130 quartos por unidade.”     A maioria dos novos hotéis serão de quatro estrelas, destacando-se ainda 11 de cinco estrelas esperados em 2018. “O investimento não é cego, e daí o interesse dos investidores por hotéis de quatro estrelas, que são os que apresentaram a melhor performance em termos operacionais e resultados consolidados em 2016 e 2017”, refere a presidente executiva da AHP.     Dos 83 hotéis que estão para abrir até finais de 2018, quase 40% são em Lisboa, a par de 19 na região Porto e Norte, 15 na zona Centro, 7 na Madeira ou 6 no Algarve (onde esta semana foi lançada a primeira pedra do complexo turístico Quinta da Ombria, no concelho de Loulé). Em 2017, já abriram 15 hotéis no país. “Vão nascer muitos hotéis, e mesmo que a procura cresça isto vai trazer desafios ao nível da capacidade de carga, pois estamos a falar sobretudo de Lisboa e do Porto, e de oferta nova no centro das cidades”, frisa Cristina Siza Vieira.     Investidores de olho na Baixa de Lisboa     A zona da Baixa lisboeta é particularmente disputada para investimento hoteleiro. O destaque aqui vai para a cadeia My Story Hotels, cujo principal acionista é o dono das sapatarias Seaside, Acácio Teixeira, que tem projetos em curso no sentido de abrir 330 novos quartos em Lisboa, envolvendo investimentos globais de €50 milhões, e tudo em edifícios reabilitados. Já com hotéis no Rossio e na Rua do Ouro, a My Story Hotels vai abrir mais quatro na Baixa entre este ano e o próximo: o primeiro será o My Story Hotel Tejo no Poço do Borratém (com a ampliação do Hotel Lisboa Tejo em mais 75 quartos) em dezembro, seguindo-se dois hotéis na Rua Augusta e na Praça da Figueira no primeiro semestre de 2018, e um segundo hotel na Rua do Ouro também no próximo ano.     “Dentro da Baixa, gostamos de ter hotéis muito bem localizados em ruas principais ou praças. O conceito passa por manter o património destes prédios e contando as histórias do que aqui aconteceu, dando ao turista uma vivência real do que é Lisboa”, adianta Manuel Goes, diretor da rede.     Para 2019 prevê-se uma nova remessa, com a My Story Hotels já a projetar um segundo hotel na Praça da Figueira, no prédio que era da loja JAO. “Estamos também a desenvolver um projeto junto ao aeroporto, no Prior Velho, no edifício que era a sede da Seaside”, adianta Manuel Goes, frisando que a expansão tem assentado “na reabilitação de imobiliário, e estes prédios na Baixa foram comprados na altura certa”. Sobre futuros projetos, avança que “havemos de chegar fora de Lisboa e faria todo o sentido irmos para o Porto, mas o metro quadrado lá subiu em flecha e não fazemos loucuras”. Na mira da My Story Hotels estão também “Madeira, Algarve e talvez Açores, além de cidades como Évora ou Coimbra. A ideia é ter sempre prédios bem localizados e tendencialmente para reabilitação”.     Em expansão acelerada está também o grupo Turim, dos irmãos Ricardo, Pedro e Rita Martins, que tem obras a decorrer para seis novos hotéis. Já com 10 hotéis em Lisboa, o grupo vai abrir em 2018 um cinco estrelas na Avenida da Liberdade, o Turim Boulevard, além de um hotel na Avenida da República em 2019. Em obras estão também os novos hotéis em Sintra (o Turim Sintra Palace com cinco estrelas, reabilitando o Palácio da Casa das Gandarinhas), e no Funchal (o antigo Hotel Santa Maria no centro histórico, encerrado há dez anos) para abrir em 2018. Contando com o hotel do Porto, que está em construção na Avenida dos Aliados e vai abrir em 2019, os investimentos da Turim ascendem a €70 milhões.     “Também vamos alargar a oferta em Lisboa dos atuais 1000 para 1500 quartos com ampliações dos hotéis existentes”, adianta Ricardo Martins, presidente da Turim. “Não pretendemos ficar por aqui. O Porto é uma cidade que nos fascina, queremos ter lá um segundo hotel e já andamos a ver oportunidades”. Segundo dados da Câmara do Porto avançados ao Expresso, deram entrada este ano cinco processos para reabilitação de unidades hoteleiras, tendo sido já emitidos 14 alvarás para início de construção.     Assumindo uma “aposta forte em Portugal e para levar turismo ao interior”, o grupo Vila Galé está atualmente a construir novos hotéis em localizações tão diversas como Porto, Sintra, Braga, Elvas ou Manteigas. “Estamos a viver uma fase de forte crescimento do grupo, com seis hotéis em curso”, salienta Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo.     Já em setembro, a Vila Galé vai abrir no Porto o hotel de charme na zona da Ribeira com 60 quartos, decorrendo “a bom ritmo” a obra do hotel em Sintra, para inaugurar em abril de 2018. O grupo está a reabilitar o antigo Hospital de São Marcos em Braga, que irá resultar num hotel com 127 quartos, dois restaurantes, sala de convenções e Spa, a abrir em maio de 2018, e iniciou em julho a obra do hotel em Elvas no Convento de São Paulo (concessionado pelo programa Revive), cuja inauguração está prevista para dezembro de 2018 — estando também a dar gás ao projeto da serra da Estrela, para o hotel poder abrir em Manteigas em novembro de 2017.   in Expresso, por Conceição Antunes e Marisa Antunes

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04 August 2017

“AHP Hotel Academy” é a nova área de formação para a hotelaria

A AHP – Associação da Hotelaria de Portugal lançou, esta semana, a nova área de formação para a hotelaria “AHP Hotel Academy”. Um programa de formação gratuita para todos os colaboradores de hotéis associados da AHP nas regiões Norte, Centro e Alentejo. O “AHP Hotel Academy”é um programa de formação modular, que irá decorrer de agosto de 2017 a junho de 2018, constituído por cursos de 25 ou 50 horas e que abrange áreas de formação como Línguas, Comportamental e Operação Hoteleira. O programa permite aos colaboradores dos hotéis associados da AHP nas referidas regiões realizar, em horário pós-laboral, formação certificada que lhes dará créditos para aumentar as suas habilitações literárias e que conta para as 35 horas de formação anual obrigatória. O arranque da formação “AHP Hotel Academy”está previsto para a próxima semana, com os cursos intensivos de língua francesa, nível inicial (25 horas), agendados para o Porto a 8 de agosto ( https://goo.gl/g1s5SH ), Aveiro a 9 de agosto ( https://goo.gl/WMnNTc ) e Évora a 10 de agosto ( https://goo.gl/Bh6SHP ). Segundo Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP, “um dos grandes desafios da AHP tem sido a qualificação de recursos humanos na hotelaria. Este programa, tal como acontece com o Formação-ação ‘Melhor Hotelaria 2020’, tem como objetivo preparar melhores profissionais através da formação contínua. A escolha do curso de língua francesa como arranque do programa não foi ao acaso, os turistas franceses têm aumentado de ano para ano e representam já uma quota de 12% nas dormidas em Portugal, sendo o terceiro mercado para a hotelaria. No entanto, são ainda poucos os colaboradores de unidades hoteleiras fluentes nesta língua e chegam-nos muitas manifestações de interesse.” O “AHP Hotel Academy” é um projeto de Formação Modular, organizado sob a forma de Unidades de Formação de Curta Duração (UFCD), constantes dos Referenciais de Formação do catálogo Nacional de Qualificações, apoiado pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego, Portugal 2020 e Fundo Social Europeu. in viajarmagazine.com.pt, por Francisco Duarte

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